09/11/10

DESENVOLVIMENTO SOCIAL E COMPORTAMENTAL DOS CACHORROS

2ª Parte

• Período de transição, crítico ou de “imprinting”


3ª e 4ª Semanas

- Inicia-se a independência nas condutas de eliminação.
- Inicio dos comportamentos lúdicos e exploratórios.
- Inicio do processo de “Imprinting”.



Imprinting

Conceito lançado pela primeira vez pelo naturalista Austríaco Konrad Lorenz (1903 – 1989) Pré-mio Nobel da Medicina em 1973 e considerado o pai da Etologia Moderna. Ele demonstrou que, no trabalho que realizou com gansos, estes seguiriam o primeiro objecto em movimento que encontrassem no seu meio envolvente, mal saíssem dos ovos, ocorrendo assim uma ligação social entre o pequeno ser e o objecto ou organismo que eles vissem em primeiro lugar. Foi o caso da experiência realizada pelo próprio Konrad Lorenz que ao criar uma ninhada de gansos cinzentos desde a oclusão dos ovos, os pequenos gansos o tomaram como sua mãe, seguindo-o incondicionalmente e, mesmo depois de se tornarem adultos, manifestaram sempre maior preferência por ele do que pelos outros gansos.
O comportamento de um animal, de qualquer animal, é o resultado da interacção de dois facto-res fundamentais: a genética e o meio ambiente, e em muitos casos é quase impossível separar o aspecto filogenético (Incluído no seu material genético, herdado) do ambiental. Um dos exem-plos mais curiosos dessas influências no referido comportamento animal é o chamado “imprin-ting” (estampagem ou impregnação em português, apesar do termo, em si ser intraduzível).

O imprinting é a primeira e mais duradoura forma de aprendizagem. Graças a ela, o animal aprende a ser membro da sua espécie, enquanto estabelece relações com os de outra.

Em todas as espécies existe um período, denominado período crítico, durante o qual o factor ambiental é mais susceptível de influenciar o comportamento e é nesse espaço de tempo da vida do animal que a acção do imprinting resulta particularmente intensa e duradoura, tendo grande importância no desenvolvimento dos padrões ontogenéticos (desenvolvidos durante o período de vida do animal) ou vitais.
O período crítico não é o mesmo em todas as espécies. Nas aves, por exemplo, por pertencerem a espécies precociais (espécies de rápido desenvolvimento, necessitam de poucos cuidados parentais, contrário de espécies altriciais), o referido período emerge logo nas primeiras horas depois do nascimento. Nos canídeos esse espaço de tempo inicia-se à terceira semana de vida, quando os cachorros começam a abrir os olhos, e a ouvir.
É importante que, nesta fase, a mãe esteja presente na altura do desenvolvimento sensorial dos cachorros, pois será ela o primeiro elemento que eles verão e será nela que se fixarão como pertencentes a uma determinada espécie.
Para a mãe também é extremamente importante esta fase, pois o desenvolvimento do compor-tamento maternal da fêmea está caracterizado pela aparição de um período sensível em que ela aprende a reconhecer as suas próprias crias assegurando, desta forma, que o instinto maternal se mantenha durante a época de amamentação.


• Período sensível ou de socialização

Da 5ª à 12ª semanas

- É o mais importante da vida do cão.
- Acaba o “imprinting”.
- Começa a exploração ano-genital e a relação social com os parentes.
- Esta fase acaba quando observamos uma reacção elevada de medo perante um estímulo novo.
- É o momento de começar a trabalhar as condutas instintivas.
- Inicia-se a socialização

Como o nome indica, o período de socialização representa para os cachorros uma fase de aprendizagem da vida social. Começa por um período de atracção (não tem medo de nada) e termina geralmente por um período de aversão (tem medo de tudo o que é novo). Os cachorros tornam-se progressivamente capazes de comunicar, e adquirem o sentido da hierarquia interpre-tando as represálias maternas, os sinais olfactivos e de postura.

Se por falta de tempo ou de observação, não se aproveita o período de atracção do cachorro para o acostumar ao seu futuro ambiente (entre a 7ª e a 9ª semanas), será muito mais difícil rec-tificar os maus hábitos adquiridos. Este período, extremamente sensível e maleável, pode ser explorado pelo proprietário ou criador para:

- Favorecer os contactos com os futuros proprietários (em especial com as crianças) caso se trate de um animal de companhia, e com os indivíduos com os quais deverá conviver (carteiros, gatos, ovelhas, etc.);

- Habituar o cachorro aos estímulos que encontrará na sua vida futura (barulhos, odores de rou-pa, tiros se tratar de um cão de caça, carros, comboios, helicópteros, etc.);

- Reforçar a aprendizagem da hierarquia, impondo-lhe, se necessário, posturas de submissão (segurando-o pelo dorso ou pela pele do pescoço). Pelo mesmo método, é possível reforçar os comportamentos desejados e reprimir as actividades indesejadas;

- Motivar os contactos entre cachorros, sancionando aqueles que ainda não controlam bem a intensidade da sua mordida;

- Observar o comportamento dos cachorros para poder orientar a escolha dos futuros proprietá-rios, em função do carácter de cada um. As tendências para a dominância podem ser per-cebidas a partir desta época, através de jogos, imitações sexuais e dos comportamentos alimentares.

- Muitas atitudes ditas “naturais” podem ser adquiridas durante este período, principalmente se a mãe estiver habituada a esses estímulos e se evidenciar uma postura calma junto da sua ninha-da durante o período de aversão.


Socialização

Nos canídeos o período de socialização está compreendido entre as 5 e as 12 semanas. Pode-mos definir esse período como o espaço de tempo compreendido entre o início da maturidade sensorial e a consolidação das estruturas nervosas que controlam a resposta de medo perante situações novas. É ainda durante este espaço de tempo que se dá o desenvolvimento sensorial e locomotor do animal e, graças a ele, o cachorro aprende a deslocar-se, explorar o seu meio envolvente e a interagir com os demais. Às 12 semanas acaba este período com a primeira demonstração de medo como resposta a alguns estímulos novos.
Em determinadas espécies, como os canídeos parece que se produz uma aceitação implícita do humano como companheiro social em pé de igualdade com os membros da sua própria espécie. Uma exposição breve durante o período sensível ou de socialização é suficiente para que se estabeleça uma relação normal com os seres humanos. É nesta fase que o cachorro deve iniciar o contacto com outros cães e fundamentalmente, com adultos e crianças. É a altura de colocar o cachorro perante situações novas parecidas com as que encontrará na fase adulta.
Se até à 14ª semana não se proceder a esta integração do cachorro na sociedade onde irá viver, este deixará de responder e o seu futuro comportamento tenderá para a anormalidade.

Esta fase de socialização é particularmente importante para a vida futura do cachorro e daqueles que com ele irão conviver. É aqui que se irão lançar as bases que definirão a estrutura mental e social de um cão. 90% dos problemas comportamentais anómalos e desviantes de cães que têm chegado ao nosso conhecimento, têm origem numa deficiente, mal conduzida e mal executada fase de socialização.

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