Recebe queixas do seu cão por parte dos vizinhos quando sai, ou gostaria de conseguir escutar o seu interlocutor quando está a falar ao telefone? Não desespere pois não é o único! O ladrido surge de forma natural, mas quando é excessivo e incontrolado é um dos problemas mais difíceis de resolver.
O ladrido incontrolado é um dos sintomas mais visíveis duma patologia comportamental da qual sofrem grande parte dos cães: A ansiedade por separação.
Como foi mencionado num artigo anterior dedicado à Comunicação Canina, os cães podem comunicar entre si utilizando cerca de dez tipos diferentes de sons, que vão desde o gemido até ao grunhido.
Ainda que o ladrido seja útil e normal como meio de comunicação, em excesso pode ser um incómodo para os humanos não só os que vivem com o cão mas também para os vizinhos.
Ladrar para dissuadir alguém de entrar no seu território – propriedade do dono – é normal, é o seu instinto de protecção a actuar, mas se existe uma sucessão de pessoas cruzando a propriedade e o cão ladra a todos eles, pode ser muito aborrecido e bastante incómodo. Infelizmente, os donos com frequência tentam silenciar o seu cão gritando-lhe, mas como as capacidades da comunicação canina não se estendem à compreensão do idioma humano, o cão simplesmente supõe que o seu dono está ladrando também e continua a ladrar, inclusivamente aumenta o seu tom.
Outros descobrem que ao ladrar fazem com que o seu dono lhes preste logo atenção, mesmo que só lhe grite: “Cala-te!” Afinal, parece que o cão desenvolve imaginação e ladra por tudo e por nada somente para conseguir atenção do seu dono.
Não obstante, a razão principal pela qual os cães aprendem a ladrar em excesso a toda a gente que cruza o seu território é o simples facto de que a maioria dessas pessoas se afastam. O cão não se dá conta de que não querem entrar, pensa que os afugentou, reforçando o seu acto.
Com frequência os proprietários de cães debatem-se com o problema do incómodo que os seus cães criam, principalmente aos vizinhos, que ladram incessantemente quando são deixados sozinhos em casa. Esses cães estão a tentar chamar os seus donos para que regressem a casa. Quando estes regressam o cão pensa que a consequência desse regresso prende-se com o facto de ele os ter chamado através do ladrido insistente. Assim, na próxima ocasião ladram com mais determinação ainda. A causa deste problema de conduta normalmente radica numa relação demasiado estreita entre o cão e os seus donos quando estes se encontram em casa. Isto causa ansiedade quando saiem porque não podem passar sem eles.
No seu habitat natural, o antepassado do cão, o Lobo, uiva para comunicar e reunir a alcateia. Como versões permanentemente imaturas dos seus ancestrais parentes, os cães tendem a ladrar mais que uivar à semelhança do que fazem os lobos adolescentes.
Para alguns donos, não obstante, a conduta vocal de solicitação de companhia não se limita a quando eles saiem. De certeza que já visitou um amigo para conversar, encontrando o seu cão impossibilitando a conversa com os seus ladridos incessantes durante a totalidade da visita. Para tentar deter este barulho ensurdecedor, o seu amigo grita ao cão para que se cale ou, noutro extremo, tenta acalmá-lo acariciando-o com a mão. Com certeza, qualquer destas estratégias simplesmente dará mais força ao cão para que continue a ladrar logo que se sinta ignorado de novo.
Muitos casais também têm que comprovar cuidadosamente onde se encontra o seu cão antes de se abraçarem. Se são observados, a sua demonstração de afecto é provável que seja rapidamente interrompida com o ladrido de um cão aparentemente zeloso. O mesmo tipo de ladrido de busca de atenção pode surgir quando o dono fala ao telefone, vê televisão ou quando está concentrado na condução de um veículo.
Resolva pela positiva
Por exemplo, cada vez que o seu cão ladra pedindo atenção, ignore-o, levante-se e sai da sala em silêncio. Com o tempo aprenderá que ladrar por esse motivo é contraproducente.
Não recomendamos nenhum dispositivo para deter a vocalização sem uma tentativa para encontrar as causas do ruído. Podemos erradamente estar a inibir um ladrido que nada tem a ver com uma chamada de atenção mas sim o sinal da aproximação de um potencial agressor.
Ainda que pareça mentira, uma das maneiras mais simples de ensinar um cão a não ladrar é ensiná-lo a ladrar à ordem. Primeiro encontre uma maneira de incentivar o seu cão para que ladre. Pode tentar que ladre de excitação ao levantar o seu comedor no ar, ou unicamente poderá fazer o mesmo movimento com uma guloseima ou um brinquedo que ele goste. Prender um cão com segurança também incrementará a frustração e estimular-lhe-á a vocalização. Quando o seu cão ladrar, elogie-o e repita a palavra “Fala!”. Se realizar esse exercício com frequência, o seu cão associará a palavra “Fala!” com o acto de ladrar e será capaz de conseguir que ladre à ordem. O objectivo final deste exercício é introduzir a palavra “Para!” enquanto o cão está a ladrar. Quando ele se calar deve dar-lhe um brinquedo ou um prémio em forma de guloseima. Se o exercício é repetido bastantes vezes, o seu cão associará o facto de estar calado com o cessar do ladrido e com a recompensa.
A recompensa é, claro está, a melhor motivação do comportamento, assim é importante elogiar o cão no preciso momento em que executa o exercício correctamente e não depois. Isto significa recompensá-lo quando pára de ladrar, e também quando não ladra numa situação em que normalmente o faria. Quando o seu cão está tranquilamente a descansar e permite-lhe conversar com as visitas sem ser importunado, ou quando os seus vizinhos cheguem a casa e o seu cão não ladre, deve elogiá-lo e recompensá-lo, assim encorajará o seu cão a permanecer quieto e calmo na próxima vez que se veja confrontado com situações semelhantes.
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