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13/03/11

O ADESTRADOR E A SUA FORMAÇÃO

Se entendermos o conceito de adestramento como “o processo utilizado para a canalização das qualidades do cão em direcção a um objectivo”, podemos definir o adestrador como sendo o “director do processo”.
É evidente que a qualidade do adestrador depende de uma série de factores, inter-relacionados entre si, como a formação, inteligência, capacidade física, sensibilidade com o animal e dedicação. Sobretudo, dos objectivos para o qual se proponha e se tem capacidade para os atingir.
Aquele que se limita a formar cães numa única disciplina poderá chegar a ser especialista nessa área mas, as suas qualidades pessoais não estarão à altura das exigências que derivam de objectivos mais complexos, onde entram em jogo factores de superior precisão, funcionalidade ou execução.
O Profissional de Adestramento deve cultivar uma virtude sem a qual, jamais chegará a ser considerado como tal. Referimo-nos à “humildade”. Ela leva-nos a sentirmo-nos continuamente aprendizes pois, devido a ela, temos a consciência que todos os dias são-nos colocadas questões novas para o qual necessitamos de respostas também inovadoras. Não deveremos ter problemas em pedir ajuda a quem sabe mais numa dada área, procurar as referidas respostas onde elas possam estar, livros, artigos, seminários, workshops, etc. Não podemos esquecer que no trabalho com cães há poucas regras fixas e, quase tudo depende da formação que possamos adquirir numa escola, em cursos, trabalhando com os formadores e em grupos de trabalho. Esta humildade deve-nos inibir da pressa que temos em sermos “experts”, fechando assim as portas à aprendizagem.
Como em todas as profissões, existe nesta uma deontologia que nos aconselha a ser humildes e encarrega-se de nos afastar dos seus “pecados capitais”. A vaidade, o desrespeito pelos outros e a deficiente capacidade para reconhecer as lacunas no conhecimento que se tem do mundo canino, diferenciam o autêntico especialista, respeitado, com provas dadas e sempre disposto a adaptar-se e a evoluir, do mau profissional que pensa que já sabe tudo e não necessita de se reciclar.
O profissional com falta de ética e de humildade jamais está aberto às inovações científicas que têm aparecido com regularidade na área da aprendizagem canina. Este tipo de profissional não toma por verdadeira a frase: “quanto mais estudo, mais consciente estou do que me falta aprender”.

Vejamos agora os canais de aprendizagem que os adestradores dispõem até que possam ser considerados como tal.
Há alguns anos os conhecimentos que possuía um profissional baseavam-se, quase exclusivamente, na sua própria experiência. O seu método era o da tentativa e erro e, se tivesse sorte, partilhava o trabalho e experiências com outro colega. Se juntarmos a isso a baixa estima social que, no nosso país, despertava o canicultor, não é difícil imaginar que, para ter um certo domínio sobre a profissão, o adestrador tivesse que sacrificar a família e a sua vida social.
Apesar de a pré-história do adestramento ainda não estar muito distante, em Portugal começa a ter-se acesso a um ensino sério e regrado, se bem que, dependendo do Centro de Formação, podem-se alcançar vários níveis.
Como é lógico, neste artigo pretendemos “informar” portanto, explicaremos os prós e contras dos canais de aprendizagem mais usuais:

1. O autodidacta


Infelizmente, este meio de aprendizagem, que é ainda o que mais predomina nos nossos adestradores profissionais, tem frutificado nesses pseudo-adestradores à custa de estropiar cães e arruinar as suas vidas e tenham igualmente feito escola como base do adestramento. Na grande maioria dos casos não passam de medíocres profissionais acompanhados de numerosas limitações.

2. O “treinador”

O canal de aprendizagem utilizado por estes profissionais que se intitulam como “treinadores de cães” tem, na sua grande maioria, origem nas companhias cinotécnicas das forças de segurança. Estes elementos possuem formação específica nas áreas da defesa civil, ou em busca e salvamento, ou na detecção de drogas e armas e operam com cães “formatados”, praticamente desde a nascença, para executarem essas actividades. Não completando esses conhecimentos com outros de índole mais geral canalizados para a actividade de companhia, que é para aquilo que os “nossos” cães estão vocacionados, dificilmente conseguirão atingir um nível elevado de capacidades no adestramento básico e social de um cão normal.

3. Os grupos de trabalho

Importado da Alemanha, a sua estrutura social é a de um grupo de adeptos que se reúnem não só para trabalharem o cão, mas para fazer vida social com aqueles que tem a mesma paixão. São normalmente organizados por Clubes de Raça e, habitualmente, não existe monitor com formação, sendo alguém experiente no grupo que, por amizade, ensina os outros. Devido à paixão e entrega, os resultados são frequentemente bons limitando-se os objectivos a provas de obediência e sociabilidade.
Transposto para o nosso País, este modelo quase nunca deu frutos como na origem. A nossa idiossincrasia de povo Latino se encarregou de arranjar desculpas para a nossa falta de interesse e motivação em frequentar esses grupos. Por vários motivos, mas o principal é o facto de no inverno ter que se trabalhar debaixo de todo o tipo de intempéries.
De qualquer forma, os grupos de trabalho e, na maioria dos casos, são bons locais para obter um o certo nível de formação, principalmente a aprendizagem de trabalho em equipa.

4. Escolas de Formação

É uma realidade nova em Portugal mas, do que conhecemos noutros países, possuem uma inquestionável qualidade e sem comparação com todos os outros canais de aprendizagem.

A amplitude de conhecimentos multidisciplinares, ministrados em módulos teóricos e práticos, conferem aos frequentadores uma bagagem de conhecimentos que lhes permite atingir qualquer objectivo que se proponham no âmbito do adestramento canino. Pode servir como exemplo, uma vez que é aquele que conhecemos melhor, o Centro Canino de Vale de Lobos que, através do seu Departamento de Formação, ministra Cursos de Formação de Monitores em Adestramento Científico Canino, tanto nos seus formatos normal como intensivo que, como o nome indica, utiliza os mais modernos avanços científicos na aprendizagem animal na persecução dos seus objectivos que é o de formar profissionais em três componentes: técnica, teórica e prática.
Também está muito em voga no nosso país a disponibilização de Cursos de uma semana onde se aproveita para abordar toda a área do adestramento, comportamento, primeiros socorros e as várias disciplinas do desporto canino.
Tem-se igualmente vindo a massificar os seminários de fim-de-semana e os workshops de um dia mas, nestes casos, são dedicados a um tema específico.

Com este artigo quis elucidar todos os proprietários de cães do que é e do estado desta nobre e dignificante actividade profissional. Cabe aos interessados informarem-se, visitarem várias escolas, compararem os métodos de adestramento, analisarem os monitores, inquirirem, se for caso disso, junto destes se possuem algum certificado passado por alguma escola de formação, etc., e depois, na posse de todos estes elementos, decidirem o que é melhor para o seu amigo de quatro patas.

08/02/11

O CARÁCTER, O TEMPERAMENTO E AS QUALIDADES INTRÍNSECAS DE UM CÃO

2ª Parte

O TEMPERAMENTO

Os seguintes traços de carácter têm uma particularidade comum a todos: que é aquilo a que vulgarmente os adestradores chamam “Força de Vontade”, “Tenacidade”, “Alerta”, “Disponibilidade para o Trabalho”, “Irreverência”, etc. Por isso decidimos separá-los das outras características que compõem o carácter, e tratá-los nesta segunda parte do artigo dedicada ao Temperamento canino.

Tempera. Esta definição contempla a intensidade e velocidade de resposta ante estímulos externos de qualquer natureza. Não se deve aplicar este termo como sinónimo de carácter e muito menos de agressividade. Tal como sucede com a sociabilidade e a docilidade, a educação canina permite acrescentar temperamento aos espécimes adestrados.
Vigilância. Representa a particularidade sensitiva do cão para pressentir algo anormal e potencialmente perigoso, ameaça para ele como individuo e/ou como integrante na matilha (equivalente à família humana). Por vezes associada a grande sensibilidade olfactiva e auditiva dos canídeos, a aptidão de vigilância, tipo sexto sentido que permite pré-advertir grandes calamidades naturais – terramotos, inundações, incêndios, tempestades – e resolver antecipadamente a guarda e protecção do grupo (congéneres, pessoas e animais a seu cuidado.
Valentia. No campo do comportamento canino, a valentia descreve a capacidade de resistência a uma acção ou factor externo desagradável ou agressivo. É condição indispensável para guarda.
Coragem. A palavra “coragem” sintetiza uma convergência de impulsos para enfrentar positivamente situações de risco, conhecidas ou não, que possam afectar a integridade física do indivíduo ou do seu grupo comunitário. Esta disposição de luta surge como resposta directamente proporcional à sociabilidade e ao temperamento de cada um, sem se contrapor à docilidade. A coragem opõe-se ao sentimento de fuga – instinto personalista – à custa do sacrifício pessoal e, por arrasto, a defesa do conjunto (da matilha ou da família) o exime do medo e considerações individualistas.
Agressividade. Nos cães interessa-nos uma reacção física e activa – mas de modo proporcionado e sem exageros – ante um suposto perigo (ameaça territorial, dos seus congéneres e mesmo de todos os seres ao seu cuidado). A agressão obedecerá sempre a um motivo. Nos cães selvagens este comportamento é primordial para obter alimento e, consequentemente, está relacionado com o instinto predatório e a sobrevivência do mais apto.
Possessibilidade. Diz-se que um cão é possessivo quando, naturalmente, está predisposto a converter-se dono de qualquer coisa ou de alguém. Deriva – por sublimação – do comportamento predatório dos cães selvagens. O apropriar-se de seres ou objectos manifesta-se como expressão de competitividade e afirmação do espaço apreendido.
Combatividade. Este conceito alude à capacidade de lutar com vigor contra um estímulo exterior negativo mal este se manifesta. Verdadeiro “resorte” emocional, a combatividade há-de expressar-se com uma firme atitude de luta que, nalguns casos são encarados como esquemas ritualizados de combate e, desencadeando-se a agressão aberta. Este conceito distingue-se de outras formas de briga porque utiliza os sinais atávicos da espécie (posição da cauda, orelhas, pelo eriçado na cruz, etc.). Autores como Enzo Vezzoli sustentam que frequentemente a combatividade se associa e inclusivamente tem origem na possessibilidade.

QUALIDADES INTRÍNSECAS DE UM CÃO

Sensibilidade e Recuperação

A sensibilidade e a capacidade de recuperação são factores psicofísicos do animal que o adestrador deve perceber de forma imediata testando ou simplesmente, trabalhando com o cão. A sensibilidade física ou psíquica e o tempo que o cão leva a recuperar de uma situação de conflito com o seu adestrador, são os factores determinantes da intensidade com que este poderá aplicar a pressão ou o castigo.
A pressão é entendida como: “força exercida sobre o cão, antes ou durante a ordem, para conseguir execução e rapidez”. O castigo ou estímulo aversivo é “a consequência negativa que recebe o animal como resultado de uma resposta inadequada”. Em termos coloquiais o castigo será: a correcção física ou psíquica que o cão recebe perante uma falta. Como dizíamos antes, é muito importante conhecer o grau de sensibilidade e a recuperação de cada indivíduo. Há cães que só com um olhar do guia se sentem, para eles o castigo consiste numa voz num tom mais áspero. Ao contrário, um cão duro necessitará uma pressão ou um castigo mais expedito.
Há quem compare a sensibilidade do animal à sua qualidade. Realmente estes conceitos não estão unidos já que há cães duríssimos não aptos para o trabalho assim como há animais sensíveis de uma qualidade extrema. Portanto, é o adestrador que deve adaptar-se à sensibilidade do cão e não o cão ao adestrador.

Intrepidez

Qualidade que representa o nível de arrojo ou valentia ante determinados problemas ou obstáculos. Não devemos confundir este conceito com o da conduta defensiva. Um cachorro de cinco meses pode ser muito intrépido sem apresentar atitudes defensivas.
Para observar a intrepidez de um cachorro colocamo-lo em cima de uma mesa alta. Quando o chamamos podemos obter uma referência de conduta. No caso de um cão adulto, colocamo-lo num dos lados de uma vala e nós no outro, então observamos como ele resolve o problema.
É importante que testemos frequentemente o cão em situações novas para ele. A espontaneidade permitirá, dessa forma, uma análise do comportamento do cão uma vez que a aprendizagem não permitirá introduzir um factor de variabilidade.

Tenacidade

Capacidade de resistir ao abandono de uma actividade que apresenta expectativas de satisfazer um instinto. Portanto, a tenacidade está muito ligada ao nível do instinto invocado.
Como exemplo podemos colocar uma bola à vista de um indivíduo com o instinto de caça bastante desenvolvido. O animal tomará uma atitude expectante e, se lhe impedimos o acesso, teremos o indicador da sua tenacidade controlando o tempo que leva a tentar obtê-la.

Temperamento

É a capacidade de adaptação e resposta orgânica do animal perante sucessos inesperados. As respostas de inquietação, surpresa excessiva ou, inclusivamente medo, quando algo se modifica de forma repentina, no âmbito da sua percepção sensorial, denotam, em maior ou menor grau, uma possível carência de Temperamento no cão. Neste caso, descartamos os modelos de conduta associados ao G.A.S. (Síndrome Geral de Adaptação) ou as reacções gerais de emergência, que leva-nos a supor uma deficiência no seu temperamento.
Para observarmos o nível de temperamento de um indivíduo podemos efectuar um disparo, introduzir um objecto novo e chamativo no seu meio envolvente quando está ausente ou simplesmente, deixar cair um objecto metálico que produza um som alto quando o cão estiver distraído.
Estes não são mais que alguns exemplos mas, mão há dúvida que o temperamento pode testar-se de diversas formas.
Um cão que lhe falte temperamento pode fazer-se insensível a um estímulo concreto, por um processo de habituação mas, noutro contexto aparecerá esta deficiência revelando assim as suas limitações.

Resolução

É a capacidade de dar solução a um problema que se lhe apresenta num contexto desconhecido. Está estreitamente ligado à “inteligência” do animal. Esta qualidade é fácil de reconhecer em cachorros e jovens que não tenham sido condicionados em excesso. Para testar esta qualidade nos cães deve-se procurar um local afastado para evitar a inibição dos mecanismos do animal ante problemas em contextos novos. Para testar um cachorro pode-se utilizar um recinto vedado e, depois de um passeio, deixa-se solto e à vontade e chamamo-lo do outro lado da vedação enquanto observamos a sua reacção.

Até aqui temos analisado o cão de forma genérica tendo em conta as virtudes e qualidades que o adestrador deve considerar quando selecciona um cão para uma determinada função ou quando testa um animal que lhe é entregue para ser formado.

Do que foi dito neste artigo deve deduzir-se que não existem dois indivíduos iguais e portanto, a manipulação e o método a seguir no processo de adestramento, deverá ajustar-se a uma análise individual.
Devemos ter em conta aqueles factores de variabilidade que alteram os resultados do estudo. Enfermidades, doenças, fases críticas do desenvolvimento psicofísico, hostilidades ambientais, traumas muito recentes e inclusivamente, instintos primários satisfeitos, distorceram em menor ou maior grau, a percepção do analista.
Com o estudo e a experiência aprofunda-se o conhecimento do cão e do seu meio envolvente evitando, desta forma, surpresas e sobretudo, reduzindo ao mínimo, o factor sorte.

12/01/11

O CARÁCTER, O TEMPERAMENTO E AS QUALIDADES INTRÍNSECAS DE UM CÃO

1ª Parte

Vamos iniciar uma série de dois artigos sobre o carácter, o temperamento e as qualidades dos cães. Apesar de serem três termos que poderão ser considerados como sinónimos, iremos ver, ao longo dos artigos, que devem ser compartimentados em conceitos diferentes, uma vez que, quaisquer uns deles apresentam traços de personalidade que os caracterizam, bastantes distintos.

O CARÁCTER

Da mesma maneira que cada cão possui uma estrutura anatómica diferente, a estrutura psíquica e mental é igualmente distinta.
O carácter é produto da carga genética, das experiências vitais e da aprendizagem. Pode-se dizer que o carácter é herdado na sua componente genética, é adquirido na sua componente ambiental e é moldado através da aprendizagem.
Cada uma das vivências do cão trabalha sobre a matriz rudimentar da personalidade do cão de maneira a que, quanto maior for o estímulo, com maior força se fixarão certo tipo de respostas.
As experiências adquiridas durante os primeiros meses de vida influenciam de forma determinante o carácter do cão. A maneira como o cachorro aprende a resolver conflitos, marcará indelevelmente a sua futura personalidade.
Também, apesar de em menor grau, influenciam o carácter as experiências adquiridas na juventude. A prova disso é que, quando se obriga o cão a esquecer associações simples ou sequências complexas de comportamentos, anulam-se com maior facilidade as que se estabeleceram durante a fase intermédia de vida do que aquelas que se fixaram no decurso dos períodos de “imprinting” ou de socialização.
Assim, para realizar um correcto adestramento é importante conhecer o carácter particular do cão que vamos trabalhar, e para isso há que considerar os dois planos em que se desenvolve o crescimento mental: conhecimentos adquiridos e herança genética.
Que carácter terá este cão? É a pergunta que colocam todos os adestradores quando iniciam a formação de qualquer exemplar. É certo que a manipulação e o desenvolvimento do trabalho irão diluindo muitas incógnitas mas, uma análise precoce é fundamental para uma correcta planificação do referido trabalho. Saber analisar cada cão e a resposta do seu organismo, perante uma determinada situação, não é um dom de alguns adestradores mas sim fruto do conhecimento, da observação e do estudo intrínseco do exemplar em causa.
A pior consequência, quando se desconhece o carácter do cão, é a sublimação do método fazendo depender só e exclusivamente dele os resultados. Esta situação provoca numerosos fracassos considerando “não aptos” os indivíduos que não alcançam os objectivos. Em contrapartida, se a eleição do método se basear no conhecimento do cão e se for ajustada, tanto a ele como ao objectivo, o número de “inaptos” será drasticamente reduzido. Do exposto se depreende que, a selecção de exemplares para adestramento de alto nível, naqueles que investiremos inúmeras horas de trabalho, deve estar condicionada a um exaustivo conhecimento do animal.

Iremos de seguida analisar os comportamentos instintivos e os traços de personalidade ligados ao carácter do cão, que o adestrador deve valorizar quando decide iniciar um trabalho de adestramento sério e produtivo.

Análise dos comportamentos instintivos

Pode-se definir o instinto como: “impulsos da estrutura interna do animal que se manifestam em forma de comportamento”. Tanto o instinto como a aprendizagem são os garantes da Adaptação e da Evolução.
Nos animais que têm uma vida relativamente longa e especialmente os que pertencem a espécies altriciais (que recebem prolongados cuidados parentais) como é o caso do cão, os comportamentos instintivos vão aparecendo de forma gradual e o indivíduo tem que aprender a controlá-las. A aprendizagem e o instinto constituem, deste modo, a essência do comportamento e, a combinação entre ambos faz com que discriminar os factores genéticos instintivos da aprendizagem, seja mais difícil do que possa parecer. Se tomarmos como exemplo do que foi exposto o comportamento da vespa cavadora veremos a diferença entre espécies precociais e altriciais assim como a diferença entre instinto e aprendizagem.
Este insecto leva a cabo somente numas semanas de vida, toda uma sequência de condutas como a alimentação, a competição e eleição de parceiro, a “decisão de lutar como o dono de um ninho ou construir o seu próprio, a eleição da presa e sua captura, a postura dos ovos e a sua morte. Se juntarmos a tudo isso que os seus pais morreram no verão anterior, deduziremos que o comportamento instintivo prevalece sobre qualquer factor de aprendizagem.
O cão como espécie altricial está muito ligado nos seus comportamentos, aos instintos e à aprendizagem que falámos anteriormente. Por meio da aprendizagem associativa e do condicionamento operante a que o submetemos veremos desenvolvidos e ampliados os seus padrões de conduta individuais que, de não serem manipulados, se limitariam à resolução de problemas derivados da sobre-vivência e da reprodução. Ainda assim o conhecimento dos instintos mais importantes que desenvolve e a adequada valorização dos comportamentos associados a eles conformam o pilar base para compreender o animal.

Traços de personalidade ligados ao carácter

Um dos erros mais frequentemente cometidos ao falar do comportamento dos cães, do qual nem os cinólogos escapam, é o emprego de termos que correspondem a outros âmbitos e cujo significado não pode empregar-se na etografia canina. Assim, é comum utilizar-se a antiga classificação de Hipócrates definindo “ (cães de) carácter excitável, tranquilo, agressivo ou temeroso”, o uso do vocábulo “temperamento” para definir agressividade, ou confundir guarda com defesa, etc. Na cinofilia moderna, os estudos têm precisado muito bem a terminologia correcta e, independentemente do autor ou técnico, sem ambiguidades, é facilitada assim, a compreensão do comportamento canino.
Nas relações que o cão tem com o meio ambiente – ocupado por ele, e consequentemente, por outros animais e pelo homem, tanto fazendo parte do grupo sócio-expressivo ou estranho a este – evidenciam-se, de modo notório, dez comportamentos naturais, três deles ligados ao carácter: a docilidade, a sociabilidade, a curiosidade e sete eminentemente ligados ao temperamento: a vigilância, o temperamento, a valentia, a possessibilidade, a combatividade, a agressividade e a coragem.
Qualquer destes comportamentos exteriorizados podem ser mais ou menos acentuados segundo a raça a que pertence, potenciando-se entre si ou contra-pondo-se (e até anulando-se), constituindo assim, uma espécie de Bilhete de Identidade das suas aptidões naturais.
…Aptidões e faculdades a ter em conta em qualquer Plano de Adestramento, pois - como disse o Etólogo Enrique Lerena de la Serna – “a educação não pode modificar os fundamentos inatos do carácter” portanto, o adestramento para certas funções é desaconselhável em raças cuja memória genética é inexistente, mas ainda que existindo concordância condutal, carecem as devidas capacidades morfológicas (tamanho insuficiente; particularidades corporais que os impedem desempenhar as tarefas solicitadas sem riscos maiores; pouca adaptação climática; etc.), em suma, não recomendáveis profissionalmente.
Ainda que com um treino específico, quiçá, potencie algumas destas faculdades e, inversamente, exija um mínimo noutras das aqui mencionadas, os comportamentos básicos relativos ao carácter do cão adestrável são os que se seguem:

Docilidade. Tem a ver com a facilidade do espécimen canino em aceitar o homem como seu superior hierárquico. É colocado, num nível inferior na escala da matilha, mas não na condição de escravo temeroso e submisso. Por cão dócil entende-se aquele que aceita o humano como guia equivalente ao líder dos grupos caninos selvagens. A docilidade, pois, não será confundida com timidez nem medo do castigo; parte da confiança, da entrega natural e benéfica a um mesmo projecto, não anula a índole mas sim amplia-a.

Sociabilidade. O cão, animal gregário, só se expressa completamente quando integrado em comunidades; daí, um exemplar sociável ganha pessoalmente e ganha a sua espécie. Deste modo, insere-se com naturalidade dentro do âmbito propício, comunicar-se sem excitação ou impaciência extremas é inerente ao impulso genético de domesticidade que se distingue da do seu primo Lobo. A falta de sociabilidade manifesta-se com temor, ansiedade e inquietação. Sociabilidade e docilidade são dois comportamentos de base que se desenvolvem no cachorro no segundo mês de vida, e autores como Daniel Torora dividem a dita capacidade social em: para com a família, para com as crianças e respeito para com os estranhos da casa; Humel agrega a disposição para outros congéneres e a sociabilidade com distintas espécies (gatos, aves, cavalos, vacas, etc.).

Curiosidade. Há um axioma comprovado que diz: “não vê nem entende o mundo aquele que não seja curioso, quem não tenha sede de indagar, procura do conhecimento (condição prévia de toda a aprendizagem). Também para o cão curiosidade é o desejo, o prazer e a faculdade de interessar-se – naturalmente – por tudo o que o circunda, fundamentado na vontade em explorar territórios e descobrir ambientes, problemáticas e resoluções novas, imprevistos, acrescentando a conduta instintiva com o imprinting – no dizer dos etólogos – e que definem o comportamento adquirido, donde a curiosidade joga um papel muito importante. A presença desta qualidade – em minha opinião – é primordial para o êxito de todo o adestramento.

17/12/10

ENSINO DA TÉCNICA DE INIBIÇÃO DE MORDIDA

EM CACHORROS DESESTRUTURADOS E EM CÃES AGRESSIVOS ADULTOS

É um quadro sempre muito desagradável de ver, e bastante doloroso para quem o sente, os braços de uma senhora, por exemplo, cravejados de vergões e arranhões provocados pelos dentes de um cachorro que, ao excitar-se, “mima” incontroladamente a dona com os dolorosos efeitos provocados pela sua protuberante e contundente dentadura.

No período conturbado que vivemos actualmente, cada vez se está a estigmatizar mais a mordida dos cães. Até um dos critérios que levaram à criação da famigerada lista de cães potencialmente perigosos foi o da potência de mordida. Normalmente, na natureza, os cachorros de Lobo conseguem conter-se em relação à intensidade da mordida nas brincadeiras entre si, uma vez que, assim que um morde mais fortemente o seu parceiro este emite um grito de dor anunciando ao outro que foi longe de mais nas suas pretensas inofensivas brincadeiras.

Nos cachorros do nosso cão doméstico, o desenvolvimento desta aprendizagem é basicamente o mesmo e, normalmente, quando se dá possibilidades e tempo à ninhada para que este processo funcione, o cão aprende que morder pode provocar dor ao próximo e que isso poderá, muitas das vezes, não constituir um reforço, não só porque assim acaba a brincadeira mas também porque o atacado pode-se transformar num forte e destemido atacante, portanto, não é compensador.

Basicamente, é este o princípio que vamos utilizar no nosso trabalho de inibição de mordida, não só em cachorros que não tiveram oportunidade de aprender a técnica, porque foram separados prematuramente do resto dos irmãos, porque nasceram isolados ou por outro motivo qualquer, e em cães agressivos adultos que, pelos mesmos motivos dos cachorros, não sabem que a sua mordida pode ser doseada em função dos objectivos que pretende atingir.

O Conceito

A inibição de mordida é simplesmente a diminuição da quantidade de pressão que o cão realiza com os dentes quando entra em contacto com a nossa pele. Num mundo perfeito os cães aprendem esta técnica durante a sua socialização intra-específica enquanto cachorros, mas muitos não têm essa oportunidade, pelas razões que acima mencionámos. Os nossos objectivos, ao ensinar a técnica de inibição de mordida são vários: este adestramento não só ajuda o cão a compreender a pressão que exerce nas suas mandíbulas, mas também lhe é ensinado a auto-controlar-se em circunstâncias em que se sentirá excitado e estimulado. Além disso podemos utilizar estes jogos para reorientar parte da frustração e da energia física que podem ser os causadores do exacerbar do problema num dado momento.

O Desenvolvimento do processo
Mordidas brandas a médias de níveis 1 a 3


O desenvolvimento da técnica da inibição de mordida em cães adultos com uma potência de nível 1 a 3 (branda a média) pode-se estabelecer criando situações em que iremos proporcionar feedback ao cão. Podemos utilizar objectos em que a nossa mão entra em estreito contacto com os dentes do cão, como é o caso de uma pequena bola ou pequenos pedaços de biscoitos para cão. Para garantir o êxito do processo devemos fazer os exercícios só depois dele comer, já que a sua mordedura será mais suave se não estiver com fome. Pelo contrário, com um cão que não se motiva pela comida, assim como aquele que arranca as coisas das nossas mãos, o exercício obterá melhores resultados se for executado antes da refeição. Devemos permanecer sempre tranquilos enquanto executa-mos os exercícios, excitar o cão pode fazer com que ele perca o controlo da mordida e caminhamos inevitavelmente em direcção ao fracasso.

Utilizamos um truque muito utilizado pelos adestradores de cavalos, mantemos os prémios (bola ou pequenos pedaços de comida) entre as pregas da palma de uma das nossas mãos. Isto obriga o cão a usar os lábios e a língua mais do que os dentes. Só quando o cão aprender totalmente esta fase é que passaremos à seguinte que consiste em lhe oferecer o prémio entre os dedos. Sempre que o cão tocar com os dentes nos nossos dedos, emitimos um grito de dor: “Ai!”, por exemplo, e terminamos o exercício abandonando imediatamente o cão e levando connosco o motivador, se for possível. Continuamos com o exercício até que o cão se mostre obviamente mais sensível nas mandíbulas continuando, ao longo da sua vida, a introduzir intencionalmente os dedos na sua boca quando lhe oferecemos comida ou brinquedos.

Quando o cão já consiga deixar de aplicar pressão, introduzimos ordens de obediência no exercício:

Começamos com níveis muito baixos de excitação, fazemos com que o cão se sente antes de iniciar o exercício. Quando melhorar a sua capacidade de inibição de mordida, podemos fazê-lo com diferentes níveis de excitação. Isto melhora o auto-controlo do cão.

Reciclagem


Se acharmos que uma mordida foi acidental, pensemos que estes são os mesmos animais que conseguem apanhar uma mosca no ar só com um abrir e fechar de boca, portanto, se foi um acidente temos que os ensinar a serem um pouco mais precavidos e cautelosos. Temos que realizar de vez em quando os exercícios aprendidos para que se recordam deles e que não passem ao esquecimento. Têm também a vantagem de os ajudarem a desenvolver a atenção mas tem igualmente efeitos na mordida na vida real que se torna mais controlada e com um nível de intensidade proporcional às necessidades. Se, entretanto, se activa a resposta luta/fuga ou os mecanismos de predação, a inibição de mordida que lhes temos ensinado terá diferentes graus de efeito no resultado da mordida. É uma das consequências do programa de tratamento porque o adestramento também ajuda a melhorar o auto-controlo. Lembramos que, devido à gravidade deste problema, temos que lutar com todas as armas que temos para controlar e minimizar este comportamento.

Mordidas médias a fortes níveis 4 a 6


Desenvolver a técnica de inibição de mordidas de nível 4 a 6 (média a forte) é um assunto totalmente diferente que deve ser efectuado por um profissional competente e com muita experiência nesta área, como tal, e por motivos de segurança, não a incluo neste artigo.

09/11/10

DESENVOLVIMENTO SOCIAL E COMPORTAMENTAL DOS CACHORROS

2ª Parte

• Período de transição, crítico ou de “imprinting”


3ª e 4ª Semanas

- Inicia-se a independência nas condutas de eliminação.
- Inicio dos comportamentos lúdicos e exploratórios.
- Inicio do processo de “Imprinting”.



Imprinting

Conceito lançado pela primeira vez pelo naturalista Austríaco Konrad Lorenz (1903 – 1989) Pré-mio Nobel da Medicina em 1973 e considerado o pai da Etologia Moderna. Ele demonstrou que, no trabalho que realizou com gansos, estes seguiriam o primeiro objecto em movimento que encontrassem no seu meio envolvente, mal saíssem dos ovos, ocorrendo assim uma ligação social entre o pequeno ser e o objecto ou organismo que eles vissem em primeiro lugar. Foi o caso da experiência realizada pelo próprio Konrad Lorenz que ao criar uma ninhada de gansos cinzentos desde a oclusão dos ovos, os pequenos gansos o tomaram como sua mãe, seguindo-o incondicionalmente e, mesmo depois de se tornarem adultos, manifestaram sempre maior preferência por ele do que pelos outros gansos.
O comportamento de um animal, de qualquer animal, é o resultado da interacção de dois facto-res fundamentais: a genética e o meio ambiente, e em muitos casos é quase impossível separar o aspecto filogenético (Incluído no seu material genético, herdado) do ambiental. Um dos exem-plos mais curiosos dessas influências no referido comportamento animal é o chamado “imprin-ting” (estampagem ou impregnação em português, apesar do termo, em si ser intraduzível).

O imprinting é a primeira e mais duradoura forma de aprendizagem. Graças a ela, o animal aprende a ser membro da sua espécie, enquanto estabelece relações com os de outra.

Em todas as espécies existe um período, denominado período crítico, durante o qual o factor ambiental é mais susceptível de influenciar o comportamento e é nesse espaço de tempo da vida do animal que a acção do imprinting resulta particularmente intensa e duradoura, tendo grande importância no desenvolvimento dos padrões ontogenéticos (desenvolvidos durante o período de vida do animal) ou vitais.
O período crítico não é o mesmo em todas as espécies. Nas aves, por exemplo, por pertencerem a espécies precociais (espécies de rápido desenvolvimento, necessitam de poucos cuidados parentais, contrário de espécies altriciais), o referido período emerge logo nas primeiras horas depois do nascimento. Nos canídeos esse espaço de tempo inicia-se à terceira semana de vida, quando os cachorros começam a abrir os olhos, e a ouvir.
É importante que, nesta fase, a mãe esteja presente na altura do desenvolvimento sensorial dos cachorros, pois será ela o primeiro elemento que eles verão e será nela que se fixarão como pertencentes a uma determinada espécie.
Para a mãe também é extremamente importante esta fase, pois o desenvolvimento do compor-tamento maternal da fêmea está caracterizado pela aparição de um período sensível em que ela aprende a reconhecer as suas próprias crias assegurando, desta forma, que o instinto maternal se mantenha durante a época de amamentação.


• Período sensível ou de socialização

Da 5ª à 12ª semanas

- É o mais importante da vida do cão.
- Acaba o “imprinting”.
- Começa a exploração ano-genital e a relação social com os parentes.
- Esta fase acaba quando observamos uma reacção elevada de medo perante um estímulo novo.
- É o momento de começar a trabalhar as condutas instintivas.
- Inicia-se a socialização

Como o nome indica, o período de socialização representa para os cachorros uma fase de aprendizagem da vida social. Começa por um período de atracção (não tem medo de nada) e termina geralmente por um período de aversão (tem medo de tudo o que é novo). Os cachorros tornam-se progressivamente capazes de comunicar, e adquirem o sentido da hierarquia interpre-tando as represálias maternas, os sinais olfactivos e de postura.

Se por falta de tempo ou de observação, não se aproveita o período de atracção do cachorro para o acostumar ao seu futuro ambiente (entre a 7ª e a 9ª semanas), será muito mais difícil rec-tificar os maus hábitos adquiridos. Este período, extremamente sensível e maleável, pode ser explorado pelo proprietário ou criador para:

- Favorecer os contactos com os futuros proprietários (em especial com as crianças) caso se trate de um animal de companhia, e com os indivíduos com os quais deverá conviver (carteiros, gatos, ovelhas, etc.);

- Habituar o cachorro aos estímulos que encontrará na sua vida futura (barulhos, odores de rou-pa, tiros se tratar de um cão de caça, carros, comboios, helicópteros, etc.);

- Reforçar a aprendizagem da hierarquia, impondo-lhe, se necessário, posturas de submissão (segurando-o pelo dorso ou pela pele do pescoço). Pelo mesmo método, é possível reforçar os comportamentos desejados e reprimir as actividades indesejadas;

- Motivar os contactos entre cachorros, sancionando aqueles que ainda não controlam bem a intensidade da sua mordida;

- Observar o comportamento dos cachorros para poder orientar a escolha dos futuros proprietá-rios, em função do carácter de cada um. As tendências para a dominância podem ser per-cebidas a partir desta época, através de jogos, imitações sexuais e dos comportamentos alimentares.

- Muitas atitudes ditas “naturais” podem ser adquiridas durante este período, principalmente se a mãe estiver habituada a esses estímulos e se evidenciar uma postura calma junto da sua ninha-da durante o período de aversão.


Socialização

Nos canídeos o período de socialização está compreendido entre as 5 e as 12 semanas. Pode-mos definir esse período como o espaço de tempo compreendido entre o início da maturidade sensorial e a consolidação das estruturas nervosas que controlam a resposta de medo perante situações novas. É ainda durante este espaço de tempo que se dá o desenvolvimento sensorial e locomotor do animal e, graças a ele, o cachorro aprende a deslocar-se, explorar o seu meio envolvente e a interagir com os demais. Às 12 semanas acaba este período com a primeira demonstração de medo como resposta a alguns estímulos novos.
Em determinadas espécies, como os canídeos parece que se produz uma aceitação implícita do humano como companheiro social em pé de igualdade com os membros da sua própria espécie. Uma exposição breve durante o período sensível ou de socialização é suficiente para que se estabeleça uma relação normal com os seres humanos. É nesta fase que o cachorro deve iniciar o contacto com outros cães e fundamentalmente, com adultos e crianças. É a altura de colocar o cachorro perante situações novas parecidas com as que encontrará na fase adulta.
Se até à 14ª semana não se proceder a esta integração do cachorro na sociedade onde irá viver, este deixará de responder e o seu futuro comportamento tenderá para a anormalidade.

Esta fase de socialização é particularmente importante para a vida futura do cachorro e daqueles que com ele irão conviver. É aqui que se irão lançar as bases que definirão a estrutura mental e social de um cão. 90% dos problemas comportamentais anómalos e desviantes de cães que têm chegado ao nosso conhecimento, têm origem numa deficiente, mal conduzida e mal executada fase de socialização.

11/10/10

DESENVOLVIMENTO SOCIAL E COMPORTAMENTAL DOS CACHORROS

(1ª Parte)

Este é um artigo destinado, primeiro aos criadores que desconhecem que, por exemplo, as manipulações neo-natais, executadas correctamente e na altura certa, podem prevenir futuros problemas comportamentais e, depois, aos futuros donos que deverão continuar e completar a socialização dos cachorros, dentro dos parâmetros correctos e adequados às especificidades de cada animal.

Antes do desmame, a mãe assume uma parte activa no desenvolvimento físico e comportamen-tal dos cachorros, parte essa que se mostrará determinante para o equilíbrio e integração poste-rior destes no seu novo meio social.

Ao ter conhecimento das várias etapas do desenvolvimento comportamental e social dos cachorros, evitam-se um elevado número de erros ou de inconvenientes, sendo devidamente aproveitados os períodos mais favoráveis à aprendizagem ou sensíveis à aversão.

Durante as duas primeiras semanas de idade, é útil verificar o instinto materno da reprodutora (especialmente limpeza dos filhos, indispensável para os seus reflexos de micção e defecação) e vigiar o aleitamento colocando os cachorros menos vigorosos ou os mais subordinados, nas mamas que produzem leite mais rico. Por vezes é necessário controlar as unhas dos cachorros, as quais podem traumatizar as mamas e levar a uma recusa da mãe em fornecer o alimento.

Os etologistas têm por hábito dividir o período de maturação do cachorro em quatro etapas sucessivas:

• O Período pré-natal

Os fetos no útero não estão completamente isolados do meio exterior. O desenvolvimento das técnicas de ecografia permitiu observar as diversas reacções dos fetos, quando se realiza na mãe, uma palpação abdominal a partir da quarta semana de gestação. O seu sentido do tacto desenvolve-se, portanto, muito cedo e nada impede de pensar que sejam sensíveis às carícias que o criador faça à mãe durante a gestação. Da mesma forma, o stress da mãe pode aparen-temente ser sentido pelos cachorros, podendo provocar abortos, atrasos de crescimento intra-uterino, deficiências imunitárias, ou mesmo dificuldades de aprendizagem depois do nascimento. Finalmente, embora o olfacto se desenvolva apenas após o nascimento, parece que a alimentação consumida pela mãe durante a gestação, pode de alguma forma, orientar as posteriores preferências alimentares dos seus cachorros.

• O Período neo-natal

1ª e 2ª Semanas

O período neonatal tem início no nascimento e termina com a abertura das pálpebras. Foi fre-quentemente chamado fase vegetativa uma vez que, exteriormente, a vida dos cachorros parece estar dominada pelo sono e por algumas actividades reflexas. Durante esta fase, o cachorro apenas reage aos estímulos tácteis e move-se em direcção às fontes de calor, rastejando. Este tipo de movimento é possível pelo desenvolvimento do sistema nervoso central que se mieliniza na direcção anterior-posterior, permitindo desta forma, a motricidade dos membros anteriores antes da dos membros posteriores. Para além disso, se excluirmos os fenómenos reflexos, a percepção dolorosa é a última a aparecer no desenvolvimento neurológico, o que explica que as caudectomias possam ser realizadas sem anestesia, durante este período. Ainda sobre este tema, os cachorros que nascem sem cauda, geralmente só adquirem o controlo da defecação muito mais tarde, o que vem reforçar o carácter mutilador deste acto de conveniência, cada vez mais reprovado.

Durante o período neonatal, o criador deverá limitar-se a confinar a mãe e a sua ninhada numa maternidade quente e acolhedora. Se constatar uma falta de instinto materno ou se a ninhada for pouco numerosa, poderá completar os estímulos tácteis dos cachorros explorando a normalidade dos seus reflexos (reflexos de micção, de defecação, de mamar, educação gustativa). Os outros estímulos, (música, brinquedos, cores etc.) realizados por vezes no canil, são ainda inúteis nesta idade e apenas perturbam o sono da ninhada.


Manipulações Neo-natais

Quando acontece o nascimento de uma ninhada, devemos actuar de imediato para assegurar o desenvolvimento intelectual dos cachorros desde o primeiro dia.

Para isso vamos aplicar as seguintes manipulações:

MANIPULAÇÃO E OBSERVAÇÃO NO PERÍODO NEONATAL (PRIMEIRA SEMANA)

1º - Observação da maturação do Sistema Nervoso Central

- Durante os primeiros 4 a 5 dias de vida, o cachorro deve apresentar dominância flexora. Para isso pegamo-lo pela base da cabeça e suspendemo-lo no ar. Ele deve responder flexionando as extremidades, a coluna e a cauda. Acariciar e acercá-lo imediatamente do nosso coração (apesar de ele ainda não ouvir). Passados 15 segundos devolvemo-lo à mãe.

2º - Para controlar as respostas motoras complexas medimos o Reflexo de Magnus. Flexione a cabeça do cachorro para um lado. O animal deve responder estendendo a as patas do lado para o qual se girou a cabeça. Acariciar, coração e mãe (igual ao ponto anterior).

3º - Controlo do reflexo de rooting (movimento exploratório com o focinho em direcção a uma fonte de calor). Colocar a mão (à temperatura normal) em forma de copo, precisamente diante da boca do cachorro. O cachorro deve tentar aproximar-se ou localizar a mão. Este reflexo começa a desaparecer aos quatro dias de vida.

Valorize e qualifique estas manipulações com os graus de: Bom, Regular e Mau

Manipulações diárias

Além das manipulações atrás mencionadas, outras devem servir para que o animal tome contac-to com o criador e a sua família. Nesta semana não é conveniente que as crianças toquem nos cachorros.

Depois de mamar devem-se pegar um a um nos cachorros, colocá-los sobre o nosso peito nu, encostados ao nosso coração. Fala-se-lhes com voz calma e de baixa intensidade. Em fundo coloca-se uma música suave (se possível sinfónica) de Mozart ou Chopin. Esta manipulação deve demorar uns 20 minutos por cachorro. É preferível que seja feita por um homem uma vez que o seu timbre e tom de voz são mais baixos. Neste momento os cachorros ainda não ouvem mas são sensíveis às vibrações ambientais.

Antes de irmos para a cama pegamos um a um nos cachorros, deitamo-nos e encostamo-los à nossa boca ao mesmo tempo que exalamos suavemente ar quente sobre a sua trufa. Acaricia-mo-los contra o pêlo e devolvemos à mãe.

Ao levantar de manhã acercamo-nos da caixa fazendo-o com o ruído normal acompanhado de um suave bater de palmas. Excepto durante as manipulações, os cachorros não devem ser importunados durante o dia. O bater de palmas também pode ser substituído por assobios.

OBJECTIVOS:

- Aumento da conduta exploratória;

- Maior desenvolvimento da capacidade de aprendizagem;

- Estimulação do sistema imunológico


MANIPULAÇÃO E OBSERVAÇÃO NO PERÍODO NEONATAL (SEGUNDA SEMANA)

1. Preparação para o período de transição

Há que procurar a simultaneidade entre a estimulação ano-genital por parte da mãe com umas carícias na cabeça a favor do pêlo. Uma vez ao dia por cachorro é o suficiente.

2. Desenvolvimento da conduta exploratória

Durante esta segunda semana mantemos todas as manipulações da primeira, excepto os testes psicomotores. Ainda que, o reflexo de rooting comece a desaparecer a partir do 4º dia, devemos continuar a estimulá-lo para aumentar o gregarismo inter-específico connosco. Uma vez por cachorro. Esta manipulação faz com que o animal, ainda que só se possa arrastar sobre os quartos traseiros, siga a fonte de calor.

3. Diminuição da tendência à emocionalidade.

Ainda que o cachorro abra os condutos auditivos entre o 11º e 14º dia e não comece a reconhe-cer estímulos auditivos até ao 19º - 20º dia, é necessário que introduzamos no seu meio ambien-te estímulos de alta frequência. Para isso utiliza-se um apito de ultra-sons que será usado quan-do o animal estiver a receber outros estímulos agradáveis (alimentação, estimulação ano-genital, etc.). Esta manipulação pode-se fazer em grupo procurando que todos os cachorros estejam despertos. Nesta altura o sono tipo REM deve ser respeitado na medida do possível.
Deve-se ir aumentando a intensidade e frequência do bater de palmas, assobios e qualquer outro som “normal”.

OBJECTIVOS COMPLEMENTARES

- Diminuição da conduta de medo no futuro período sensível;

- Resposta adrenocortical mais flexível e adaptada ao factor stress;

- Aumento da velocidade de crescimento.

10/09/10

ELIMINAÇÃO INADEQUADA

Definição

Se um cão, durante uma semana, faz as necessidades no tapete, na carpete ou no chão da cozinha ou da sala, qual poderá ser a causa deste distúrbio comportamental? Marcação territorial? Micção por submissão? Ansiedade por separação? Pode ser uma destas condutas, nenhuma ou várias. Pode ser simplesmente que o cão está a chamar a atenção porque houve alterações à rotina e o dono não passa tempo suficiente com ele. Também poderá tratar-se de uma pequena infecção urinária de que o dono não se tenha dado conta e, neste caso, um antibiótico solucionará o problema. Portanto, a solução não passa pelo clássico esfregar do focinho do cão na urina ou nas fezes para lhe “dizer” que não devia ter feito naquele local.

O que queremos dizer é que este é um problema de conduta multifactorial e que nem todos os casos obedecem às mesmas causas. Portanto, devemos analisar caso a caso individualmente e não cair em estereótipos que pela parecença e similitudes com outros casos possamos cair no erro de fazer diagnósticos errados interferindo assim no êxito do tratamento.

A eliminação inadequada é um problema maior para o dono do que para o cão. O animal tem que fazer as suas necessidades e, logicamente, o facto de as fazer num local ou noutro é um problema nosso, sobretudo por questões higiénicas e deterioração do mobiliário e portas.

Por um lado, este problema é tão importante uma vez que é um dos primeiros que levam ao abandono do animal ou provocar a sua eutanásia. Por outro, é mais fácil proceder dessa forma do que solicitar uma consulta especializada em comportamento.

Portanto, é responsabilidade do profissional fazer um diagnóstico adequado que lhe permita levar a cabo um tratamento correcto e uma monitorização exaustiva de todo o processo, com a finalidade de se assegurar do seu correcto funcionamento. Assim, se o tratamento não está a ser eficaz, estaremos a tempo de o reorientar ou reajustar.

Diagnóstico

Como dissemos anteriormente é muito importante chegar a um diagnóstico correcto, não só para um eficaz tratamento, mas também pela implicação afectiva subjacente à possibilidade de um triste final.

Para o profissional, o êxito no diagnóstico baseia-se num conhecimento o mais profundo possível da situação, incluindo visitas ao domicílio se achar necessário. Não se devem esquecer alguns factores como a existência de outros cães em casa, se o animal tem vindo a eliminar correctamente antes dos episódios, se o faz na presença ou ausência do dono ou se existem possíveis estímulos causadores de medo no animal.

Portanto, dentro do diagnóstico diferencial devemos incluir as razões médicas como primeiro motivo causal. Dentro delas devemos considerar todas as doenças que interfiram com a poliúria ou polaciúria, incluindo enfermidades do trato urinário, renal, problemas endócrinos e neurológicos. Também há que ter em conta a defecção inadequada, que ainda que menos frequente representa uma percentagem importante de eliminações inadequadas. Neste caso teríamos que considerar problemas gastrointestinais como parasitas, infecções bacterianas e víricas, alergia alimentar, corpos estranhos, obstrução intestinal, mudanças alimentares ou ambiente, mudanças na mobilidade intestinal derivadas da idade, assim como dor na coluna ou nas articulações.

Em relação às causas não orgânicas e que se supõe que sejam um problema comportamental em si, destacamos as seguintes:

Aprendizagem inadequada ou falta de aprendizagem

Considera-se que um cão não aprendeu correctamente a conduta de eliminação quando, com mais de 6 meses e ocasionalmente faz as necessidades em casa, não passou mais de um mês seguido fazendo unicamente fora e este comportamento acontece tanto na presença como na ausência do dono. Estes cães quando em cachorros não aprenderam correctamente ou podem ter desenvolvido uma preferência por um certo tipo de local inadequado. Outros cães que foram adoptados, ao levá-los ao local adequado, contrariamente ao que nós pensamos, preferem eliminar em casa.

Acesso insuficiente

Os cães que já têm um esquema adequado de eliminação podem voltar a fazê-lo em zonas indevidas por mudanças na rotina do dono ou por restrição de acesso a essas zonas. Isto é especialmente importante em cães velhos, já que não têm a mesma frequência de eliminações. Também se dá no caso de cães demasiado tímidos ou medrosos, que por ansiedade em determinados ambientes, não eliminam até que não estejam tranquilos.

Há que recordar que em casos de acesso insuficiente, o cão, por necessidade, eliminará em qualquer sítio.

Preferência por um local

A preferência por um local concreto para a eliminação começa a desenvolver-se por volta das 8-9 semanas de idade. É o momento para o ensinar a discriminar entre os locais permitidos e os proibidos. Um caso especial é ensiná-los a eliminar à ordem.

Ansiedade por separação.

É um dos sintomas que o cão pode apresentar nos transtornos relacionados com a separação de algum dos membros da família. Para que possa ser considerado como ansiedade por separação tem que se dar nas seguintes circunstâncias:

• Que a conduta de eliminação aconteça quando o dono ou algum dos membros da família não estão em casa;
• Nunca o fazem com o dono em casa;
• Sabe-se que o animal teve uma aprendizagem adequada em relação à eliminação;
• Não há nenhuma causa médica;
• As mudanças de rotina são menos importantes que a presença ou ausência do dono
• Existem outros comportamentos inadequados como destruição.

Marcação

É um comportamento facilitado social e hormonalmente. É especialmente frequente em machos inteiros.

Nas fêmeas é menos comum o comportamento de marcação através de urina, ainda que, se estão em cio efectuam padrões de urina mais frequentemente, em menores quantidades e geralmente diante de outras fêmeas e machos.

A marcação frequente com urina está relacionada com o estabelecimento da posição dentro da hierarquia do grupo. Quando um cão marca há que fazer uma análise muito detalhada de todas as interacções sociais do animal. Pode ser também um sinal de dominância, de agressividade ou de ansiedade.

A marcação com fezes é menos frequente que com urina, tanto em fêmeas como em machos.

Micção por submissão

Acontece com frequência em cachorros, fêmeas jovens e cães castigados inconsistentemente. Pode-se evitar ignorando esta conduta e premiando outras incompatíveis com a mesma. Sobretudo não se devem adoptar posturas demasiado dominantes com o animal. Sendo assim o uso do castigo é desaconselhado já que o cão, não entendendo o que queremos dele, fortalecerá a conduta e esta tende a perpetuar-se no tempo.

Há que procurar eliminar bem o odor, sobretudo em cães que não aprenderam a eliminar adequadamente, porque cheirar a sua própria urina estimula-os a fazer continuamente no mesmo local.

Micção por excitação


É frequente em cães jovens que todavia não têm controlo sobre os esfíncteres. Quanto mais excitação lhes provocamos, mais fortalecido aparecerá o problema. A urina não se evacua numa postura correcta, mas enquanto o cão anda ou salta. Há que reforçar as condutas compatíveis com a tranquilidade e a relaxação, assim como o exercício físico.

Micção por medo

Produz-se por uma contracção dos músculos da bexiga e do cólon devido ao medo extremo. Para a diferenciar da micção por submissão, esta micção e defecação deve ir acompanhada por outros sinais de medo, como taquicardia, taquipnéia (aumento da frequência respiratória), pelo eriçado, midríase (dilatação do diâmetro da pupila ocular) ou salivação.

Para eliminar este comportamento há que tratar da causa do medo, programas de alteração de conduta e medicação se for necessário.

Chamar à atenção

Acontece em cães que tentam chamar à atenção do seu dono eliminando no interior da casa, para que sejam levados para o exterior ou simplesmente para serem notados.

Incontinência de cães velhos dependente de estrogénios, ou Disfunção Cognitiva

Dá-se em fêmeas esterilizadas ou em cães de idade avançada, enquanto estão despertos ou relaxados. Não têm cabimento, aqui, as medidas de alteração de comportamento nem o castigo. Podem ser usados medicamentos que aumentem a funcionalidade do esfíncter.

• Tratamento

O tratamento deste problema de comportamento pode ser interminável e de difícil correcção se não estivermos na posse de um diagnóstico correcto e não tenhamos realizado uma análise suficientemente exaustiva do problema.

Os princípios gerais do tratamento a considerar são três:

• Eliminar a possibilidade do cão fazer as suas necessidades dentro de casa;
• Proporcionar-lhe frequentes oportunidades para a eliminação;
• Fazer da eliminação, num local adequado, algo muito agradável para o cão.

Quanto às causas médicas, supostamente o começo está em diagnosticá-las definitivamente, mediante exames complementares e tratá-las devidamente.

Se foi diagnosticada uma eliminação inadequada por falta de aprendizagem, o tratamento será canalizado para começar do zero e conseguir que o cão entenda que o local adequado para eliminar é fora de casa e a umas horas certas. Não se deve usar o castigo, sobretudo inconsequente.

Os cães velhos que sofrem de disfunção cognitiva, dores nas articulações ou incontinência dependente de estrogenios, devem-se tratar com medicação adequada. Neste caso pouco podem fazer as medidas de actuação, ainda que pode servir, em determinados cães, facilitar-lhes o acesso às zonas de eliminação tornando-as mais curtas e mais fáceis, como por exemplo não ter que subir ou descer escadas.

Nos casos de micção por submissão ou por excitação o que mais ajuda é precisamente evitar as situações nas quais o cão se sente ameaçado ou excitado, por exemplo quando nos aproximamos dele ou quando lhe colocamos a coleira. É muito difícil convencer um dono de que não se deve aproximar do seu cão ou, nalgumas ocasiões, nem olhá-lo, mas isto é parte fundamental da solução deste problema. Em casos muito específicos, ou naqueles em que o cão foi sistematicamente castigado, deve-se incluir a medicação no programa de tratamento.

O tratamento nos casos diagnosticados como ansiedade por separação, deve-se aplicar um programa específico para o tratamento desta patologia comportamental.

Por último, se se trata de marcação, devemos estabelecer programas de correcção comportamental relacionadas com a causa principal: estabelecimento de estatuto hierárquico condizente com a posição do cão no seio da matilha humana, diminuição da ansiedade por um estatuto indefinido ou castigos indiscriminados e castração ou fármacos nos casos em que se diagnostiquem como medidas úteis de tratamento.

Em resumo

Como mencionámos anteriormente, este é um problema que tem solução, mas esta passa irremediavelmente pela aplicação do dono num plano de tratamento que lhe seja sugerido.

Como o cão ainda não aprendeu a falar como efeito da domesticação – agradecemos tal ainda não ter acontecido – não podemos explicar-lhe com palavras onde queremos que faça as suas necessidades. Portanto, teremos que utilizar os princípios básicos da aprendizagem animal e sobretudo toda a paciência, muita e muita paciência. O dono não deve entrar em desespero mas ver positivamente todos os avanços, por muito pequenos que sejam, e comunicar ao terapeuta qualquer mudança não esperada no plano de tratamento, na sua rotina ou na atitude do seu cão.

O dono tem que ter em conta que tem um cão que em cachorro habituou-se a um certo local e modo de vida, e que, se decidiu adquiri-lo é porque pesou os prós e os contras. Mas também é verdade: Que aborrecido seria ter-mos um cão robot!