1ª Parte
Vamos iniciar uma série de dois artigos sobre o carácter, o temperamento e as qualidades dos cães. Apesar de serem três termos que poderão ser considerados como sinónimos, iremos ver, ao longo dos artigos, que devem ser compartimentados em conceitos diferentes, uma vez que, quaisquer uns deles apresentam traços de personalidade que os caracterizam, bastantes distintos.
O CARÁCTER
Da mesma maneira que cada cão possui uma estrutura anatómica diferente, a estrutura psíquica e mental é igualmente distinta.
O carácter é produto da carga genética, das experiências vitais e da aprendizagem. Pode-se dizer que o carácter é herdado na sua componente genética, é adquirido na sua componente ambiental e é moldado através da aprendizagem.
Cada uma das vivências do cão trabalha sobre a matriz rudimentar da personalidade do cão de maneira a que, quanto maior for o estímulo, com maior força se fixarão certo tipo de respostas.
As experiências adquiridas durante os primeiros meses de vida influenciam de forma determinante o carácter do cão. A maneira como o cachorro aprende a resolver conflitos, marcará indelevelmente a sua futura personalidade.
Também, apesar de em menor grau, influenciam o carácter as experiências adquiridas na juventude. A prova disso é que, quando se obriga o cão a esquecer associações simples ou sequências complexas de comportamentos, anulam-se com maior facilidade as que se estabeleceram durante a fase intermédia de vida do que aquelas que se fixaram no decurso dos períodos de “imprinting” ou de socialização.
Assim, para realizar um correcto adestramento é importante conhecer o carácter particular do cão que vamos trabalhar, e para isso há que considerar os dois planos em que se desenvolve o crescimento mental: conhecimentos adquiridos e herança genética.
Que carácter terá este cão? É a pergunta que colocam todos os adestradores quando iniciam a formação de qualquer exemplar. É certo que a manipulação e o desenvolvimento do trabalho irão diluindo muitas incógnitas mas, uma análise precoce é fundamental para uma correcta planificação do referido trabalho. Saber analisar cada cão e a resposta do seu organismo, perante uma determinada situação, não é um dom de alguns adestradores mas sim fruto do conhecimento, da observação e do estudo intrínseco do exemplar em causa.
A pior consequência, quando se desconhece o carácter do cão, é a sublimação do método fazendo depender só e exclusivamente dele os resultados. Esta situação provoca numerosos fracassos considerando “não aptos” os indivíduos que não alcançam os objectivos. Em contrapartida, se a eleição do método se basear no conhecimento do cão e se for ajustada, tanto a ele como ao objectivo, o número de “inaptos” será drasticamente reduzido. Do exposto se depreende que, a selecção de exemplares para adestramento de alto nível, naqueles que investiremos inúmeras horas de trabalho, deve estar condicionada a um exaustivo conhecimento do animal.
Iremos de seguida analisar os comportamentos instintivos e os traços de personalidade ligados ao carácter do cão, que o adestrador deve valorizar quando decide iniciar um trabalho de adestramento sério e produtivo.
Análise dos comportamentos instintivos
Pode-se definir o instinto como: “impulsos da estrutura interna do animal que se manifestam em forma de comportamento”. Tanto o instinto como a aprendizagem são os garantes da Adaptação e da Evolução.
Nos animais que têm uma vida relativamente longa e especialmente os que pertencem a espécies altriciais (que recebem prolongados cuidados parentais) como é o caso do cão, os comportamentos instintivos vão aparecendo de forma gradual e o indivíduo tem que aprender a controlá-las. A aprendizagem e o instinto constituem, deste modo, a essência do comportamento e, a combinação entre ambos faz com que discriminar os factores genéticos instintivos da aprendizagem, seja mais difícil do que possa parecer. Se tomarmos como exemplo do que foi exposto o comportamento da vespa cavadora veremos a diferença entre espécies precociais e altriciais assim como a diferença entre instinto e aprendizagem.
Este insecto leva a cabo somente numas semanas de vida, toda uma sequência de condutas como a alimentação, a competição e eleição de parceiro, a “decisão de lutar como o dono de um ninho ou construir o seu próprio, a eleição da presa e sua captura, a postura dos ovos e a sua morte. Se juntarmos a tudo isso que os seus pais morreram no verão anterior, deduziremos que o comportamento instintivo prevalece sobre qualquer factor de aprendizagem.
O cão como espécie altricial está muito ligado nos seus comportamentos, aos instintos e à aprendizagem que falámos anteriormente. Por meio da aprendizagem associativa e do condicionamento operante a que o submetemos veremos desenvolvidos e ampliados os seus padrões de conduta individuais que, de não serem manipulados, se limitariam à resolução de problemas derivados da sobre-vivência e da reprodução. Ainda assim o conhecimento dos instintos mais importantes que desenvolve e a adequada valorização dos comportamentos associados a eles conformam o pilar base para compreender o animal.
Traços de personalidade ligados ao carácter
Um dos erros mais frequentemente cometidos ao falar do comportamento dos cães, do qual nem os cinólogos escapam, é o emprego de termos que correspondem a outros âmbitos e cujo significado não pode empregar-se na etografia canina. Assim, é comum utilizar-se a antiga classificação de Hipócrates definindo “ (cães de) carácter excitável, tranquilo, agressivo ou temeroso”, o uso do vocábulo “temperamento” para definir agressividade, ou confundir guarda com defesa, etc. Na cinofilia moderna, os estudos têm precisado muito bem a terminologia correcta e, independentemente do autor ou técnico, sem ambiguidades, é facilitada assim, a compreensão do comportamento canino.
Nas relações que o cão tem com o meio ambiente – ocupado por ele, e consequentemente, por outros animais e pelo homem, tanto fazendo parte do grupo sócio-expressivo ou estranho a este – evidenciam-se, de modo notório, dez comportamentos naturais, três deles ligados ao carácter: a docilidade, a sociabilidade, a curiosidade e sete eminentemente ligados ao temperamento: a vigilância, o temperamento, a valentia, a possessibilidade, a combatividade, a agressividade e a coragem.
Qualquer destes comportamentos exteriorizados podem ser mais ou menos acentuados segundo a raça a que pertence, potenciando-se entre si ou contra-pondo-se (e até anulando-se), constituindo assim, uma espécie de Bilhete de Identidade das suas aptidões naturais.
…Aptidões e faculdades a ter em conta em qualquer Plano de Adestramento, pois - como disse o Etólogo Enrique Lerena de la Serna – “a educação não pode modificar os fundamentos inatos do carácter” portanto, o adestramento para certas funções é desaconselhável em raças cuja memória genética é inexistente, mas ainda que existindo concordância condutal, carecem as devidas capacidades morfológicas (tamanho insuficiente; particularidades corporais que os impedem desempenhar as tarefas solicitadas sem riscos maiores; pouca adaptação climática; etc.), em suma, não recomendáveis profissionalmente.
Ainda que com um treino específico, quiçá, potencie algumas destas faculdades e, inversamente, exija um mínimo noutras das aqui mencionadas, os comportamentos básicos relativos ao carácter do cão adestrável são os que se seguem:
• Docilidade. Tem a ver com a facilidade do espécimen canino em aceitar o homem como seu superior hierárquico. É colocado, num nível inferior na escala da matilha, mas não na condição de escravo temeroso e submisso. Por cão dócil entende-se aquele que aceita o humano como guia equivalente ao líder dos grupos caninos selvagens. A docilidade, pois, não será confundida com timidez nem medo do castigo; parte da confiança, da entrega natural e benéfica a um mesmo projecto, não anula a índole mas sim amplia-a.
• Sociabilidade. O cão, animal gregário, só se expressa completamente quando integrado em comunidades; daí, um exemplar sociável ganha pessoalmente e ganha a sua espécie. Deste modo, insere-se com naturalidade dentro do âmbito propício, comunicar-se sem excitação ou impaciência extremas é inerente ao impulso genético de domesticidade que se distingue da do seu primo Lobo. A falta de sociabilidade manifesta-se com temor, ansiedade e inquietação. Sociabilidade e docilidade são dois comportamentos de base que se desenvolvem no cachorro no segundo mês de vida, e autores como Daniel Torora dividem a dita capacidade social em: para com a família, para com as crianças e respeito para com os estranhos da casa; Humel agrega a disposição para outros congéneres e a sociabilidade com distintas espécies (gatos, aves, cavalos, vacas, etc.).
• Curiosidade. Há um axioma comprovado que diz: “não vê nem entende o mundo aquele que não seja curioso, quem não tenha sede de indagar, procura do conhecimento (condição prévia de toda a aprendizagem). Também para o cão curiosidade é o desejo, o prazer e a faculdade de interessar-se – naturalmente – por tudo o que o circunda, fundamentado na vontade em explorar territórios e descobrir ambientes, problemáticas e resoluções novas, imprevistos, acrescentando a conduta instintiva com o imprinting – no dizer dos etólogos – e que definem o comportamento adquirido, donde a curiosidade joga um papel muito importante. A presença desta qualidade – em minha opinião – é primordial para o êxito de todo o adestramento.
12/01/11
17/12/10
ENSINO DA TÉCNICA DE INIBIÇÃO DE MORDIDA
EM CACHORROS DESESTRUTURADOS E EM CÃES AGRESSIVOS ADULTOS
É um quadro sempre muito desagradável de ver, e bastante doloroso para quem o sente, os braços de uma senhora, por exemplo, cravejados de vergões e arranhões provocados pelos dentes de um cachorro que, ao excitar-se, “mima” incontroladamente a dona com os dolorosos efeitos provocados pela sua protuberante e contundente dentadura.
No período conturbado que vivemos actualmente, cada vez se está a estigmatizar mais a mordida dos cães. Até um dos critérios que levaram à criação da famigerada lista de cães potencialmente perigosos foi o da potência de mordida. Normalmente, na natureza, os cachorros de Lobo conseguem conter-se em relação à intensidade da mordida nas brincadeiras entre si, uma vez que, assim que um morde mais fortemente o seu parceiro este emite um grito de dor anunciando ao outro que foi longe de mais nas suas pretensas inofensivas brincadeiras.
Nos cachorros do nosso cão doméstico, o desenvolvimento desta aprendizagem é basicamente o mesmo e, normalmente, quando se dá possibilidades e tempo à ninhada para que este processo funcione, o cão aprende que morder pode provocar dor ao próximo e que isso poderá, muitas das vezes, não constituir um reforço, não só porque assim acaba a brincadeira mas também porque o atacado pode-se transformar num forte e destemido atacante, portanto, não é compensador.
Basicamente, é este o princípio que vamos utilizar no nosso trabalho de inibição de mordida, não só em cachorros que não tiveram oportunidade de aprender a técnica, porque foram separados prematuramente do resto dos irmãos, porque nasceram isolados ou por outro motivo qualquer, e em cães agressivos adultos que, pelos mesmos motivos dos cachorros, não sabem que a sua mordida pode ser doseada em função dos objectivos que pretende atingir.
O Conceito
A inibição de mordida é simplesmente a diminuição da quantidade de pressão que o cão realiza com os dentes quando entra em contacto com a nossa pele. Num mundo perfeito os cães aprendem esta técnica durante a sua socialização intra-específica enquanto cachorros, mas muitos não têm essa oportunidade, pelas razões que acima mencionámos. Os nossos objectivos, ao ensinar a técnica de inibição de mordida são vários: este adestramento não só ajuda o cão a compreender a pressão que exerce nas suas mandíbulas, mas também lhe é ensinado a auto-controlar-se em circunstâncias em que se sentirá excitado e estimulado. Além disso podemos utilizar estes jogos para reorientar parte da frustração e da energia física que podem ser os causadores do exacerbar do problema num dado momento.
O Desenvolvimento do processo
Mordidas brandas a médias de níveis 1 a 3
O desenvolvimento da técnica da inibição de mordida em cães adultos com uma potência de nível 1 a 3 (branda a média) pode-se estabelecer criando situações em que iremos proporcionar feedback ao cão. Podemos utilizar objectos em que a nossa mão entra em estreito contacto com os dentes do cão, como é o caso de uma pequena bola ou pequenos pedaços de biscoitos para cão. Para garantir o êxito do processo devemos fazer os exercícios só depois dele comer, já que a sua mordedura será mais suave se não estiver com fome. Pelo contrário, com um cão que não se motiva pela comida, assim como aquele que arranca as coisas das nossas mãos, o exercício obterá melhores resultados se for executado antes da refeição. Devemos permanecer sempre tranquilos enquanto executa-mos os exercícios, excitar o cão pode fazer com que ele perca o controlo da mordida e caminhamos inevitavelmente em direcção ao fracasso.
Utilizamos um truque muito utilizado pelos adestradores de cavalos, mantemos os prémios (bola ou pequenos pedaços de comida) entre as pregas da palma de uma das nossas mãos. Isto obriga o cão a usar os lábios e a língua mais do que os dentes. Só quando o cão aprender totalmente esta fase é que passaremos à seguinte que consiste em lhe oferecer o prémio entre os dedos. Sempre que o cão tocar com os dentes nos nossos dedos, emitimos um grito de dor: “Ai!”, por exemplo, e terminamos o exercício abandonando imediatamente o cão e levando connosco o motivador, se for possível. Continuamos com o exercício até que o cão se mostre obviamente mais sensível nas mandíbulas continuando, ao longo da sua vida, a introduzir intencionalmente os dedos na sua boca quando lhe oferecemos comida ou brinquedos.
Quando o cão já consiga deixar de aplicar pressão, introduzimos ordens de obediência no exercício:
Começamos com níveis muito baixos de excitação, fazemos com que o cão se sente antes de iniciar o exercício. Quando melhorar a sua capacidade de inibição de mordida, podemos fazê-lo com diferentes níveis de excitação. Isto melhora o auto-controlo do cão.
Reciclagem
Se acharmos que uma mordida foi acidental, pensemos que estes são os mesmos animais que conseguem apanhar uma mosca no ar só com um abrir e fechar de boca, portanto, se foi um acidente temos que os ensinar a serem um pouco mais precavidos e cautelosos. Temos que realizar de vez em quando os exercícios aprendidos para que se recordam deles e que não passem ao esquecimento. Têm também a vantagem de os ajudarem a desenvolver a atenção mas tem igualmente efeitos na mordida na vida real que se torna mais controlada e com um nível de intensidade proporcional às necessidades. Se, entretanto, se activa a resposta luta/fuga ou os mecanismos de predação, a inibição de mordida que lhes temos ensinado terá diferentes graus de efeito no resultado da mordida. É uma das consequências do programa de tratamento porque o adestramento também ajuda a melhorar o auto-controlo. Lembramos que, devido à gravidade deste problema, temos que lutar com todas as armas que temos para controlar e minimizar este comportamento.
Mordidas médias a fortes níveis 4 a 6
Desenvolver a técnica de inibição de mordidas de nível 4 a 6 (média a forte) é um assunto totalmente diferente que deve ser efectuado por um profissional competente e com muita experiência nesta área, como tal, e por motivos de segurança, não a incluo neste artigo.
É um quadro sempre muito desagradável de ver, e bastante doloroso para quem o sente, os braços de uma senhora, por exemplo, cravejados de vergões e arranhões provocados pelos dentes de um cachorro que, ao excitar-se, “mima” incontroladamente a dona com os dolorosos efeitos provocados pela sua protuberante e contundente dentadura.
No período conturbado que vivemos actualmente, cada vez se está a estigmatizar mais a mordida dos cães. Até um dos critérios que levaram à criação da famigerada lista de cães potencialmente perigosos foi o da potência de mordida. Normalmente, na natureza, os cachorros de Lobo conseguem conter-se em relação à intensidade da mordida nas brincadeiras entre si, uma vez que, assim que um morde mais fortemente o seu parceiro este emite um grito de dor anunciando ao outro que foi longe de mais nas suas pretensas inofensivas brincadeiras.
Nos cachorros do nosso cão doméstico, o desenvolvimento desta aprendizagem é basicamente o mesmo e, normalmente, quando se dá possibilidades e tempo à ninhada para que este processo funcione, o cão aprende que morder pode provocar dor ao próximo e que isso poderá, muitas das vezes, não constituir um reforço, não só porque assim acaba a brincadeira mas também porque o atacado pode-se transformar num forte e destemido atacante, portanto, não é compensador.
Basicamente, é este o princípio que vamos utilizar no nosso trabalho de inibição de mordida, não só em cachorros que não tiveram oportunidade de aprender a técnica, porque foram separados prematuramente do resto dos irmãos, porque nasceram isolados ou por outro motivo qualquer, e em cães agressivos adultos que, pelos mesmos motivos dos cachorros, não sabem que a sua mordida pode ser doseada em função dos objectivos que pretende atingir.
O Conceito
A inibição de mordida é simplesmente a diminuição da quantidade de pressão que o cão realiza com os dentes quando entra em contacto com a nossa pele. Num mundo perfeito os cães aprendem esta técnica durante a sua socialização intra-específica enquanto cachorros, mas muitos não têm essa oportunidade, pelas razões que acima mencionámos. Os nossos objectivos, ao ensinar a técnica de inibição de mordida são vários: este adestramento não só ajuda o cão a compreender a pressão que exerce nas suas mandíbulas, mas também lhe é ensinado a auto-controlar-se em circunstâncias em que se sentirá excitado e estimulado. Além disso podemos utilizar estes jogos para reorientar parte da frustração e da energia física que podem ser os causadores do exacerbar do problema num dado momento.
O Desenvolvimento do processo
Mordidas brandas a médias de níveis 1 a 3
O desenvolvimento da técnica da inibição de mordida em cães adultos com uma potência de nível 1 a 3 (branda a média) pode-se estabelecer criando situações em que iremos proporcionar feedback ao cão. Podemos utilizar objectos em que a nossa mão entra em estreito contacto com os dentes do cão, como é o caso de uma pequena bola ou pequenos pedaços de biscoitos para cão. Para garantir o êxito do processo devemos fazer os exercícios só depois dele comer, já que a sua mordedura será mais suave se não estiver com fome. Pelo contrário, com um cão que não se motiva pela comida, assim como aquele que arranca as coisas das nossas mãos, o exercício obterá melhores resultados se for executado antes da refeição. Devemos permanecer sempre tranquilos enquanto executa-mos os exercícios, excitar o cão pode fazer com que ele perca o controlo da mordida e caminhamos inevitavelmente em direcção ao fracasso.
Utilizamos um truque muito utilizado pelos adestradores de cavalos, mantemos os prémios (bola ou pequenos pedaços de comida) entre as pregas da palma de uma das nossas mãos. Isto obriga o cão a usar os lábios e a língua mais do que os dentes. Só quando o cão aprender totalmente esta fase é que passaremos à seguinte que consiste em lhe oferecer o prémio entre os dedos. Sempre que o cão tocar com os dentes nos nossos dedos, emitimos um grito de dor: “Ai!”, por exemplo, e terminamos o exercício abandonando imediatamente o cão e levando connosco o motivador, se for possível. Continuamos com o exercício até que o cão se mostre obviamente mais sensível nas mandíbulas continuando, ao longo da sua vida, a introduzir intencionalmente os dedos na sua boca quando lhe oferecemos comida ou brinquedos.
Quando o cão já consiga deixar de aplicar pressão, introduzimos ordens de obediência no exercício:
Começamos com níveis muito baixos de excitação, fazemos com que o cão se sente antes de iniciar o exercício. Quando melhorar a sua capacidade de inibição de mordida, podemos fazê-lo com diferentes níveis de excitação. Isto melhora o auto-controlo do cão.
Reciclagem
Se acharmos que uma mordida foi acidental, pensemos que estes são os mesmos animais que conseguem apanhar uma mosca no ar só com um abrir e fechar de boca, portanto, se foi um acidente temos que os ensinar a serem um pouco mais precavidos e cautelosos. Temos que realizar de vez em quando os exercícios aprendidos para que se recordam deles e que não passem ao esquecimento. Têm também a vantagem de os ajudarem a desenvolver a atenção mas tem igualmente efeitos na mordida na vida real que se torna mais controlada e com um nível de intensidade proporcional às necessidades. Se, entretanto, se activa a resposta luta/fuga ou os mecanismos de predação, a inibição de mordida que lhes temos ensinado terá diferentes graus de efeito no resultado da mordida. É uma das consequências do programa de tratamento porque o adestramento também ajuda a melhorar o auto-controlo. Lembramos que, devido à gravidade deste problema, temos que lutar com todas as armas que temos para controlar e minimizar este comportamento.
Mordidas médias a fortes níveis 4 a 6
Desenvolver a técnica de inibição de mordidas de nível 4 a 6 (média a forte) é um assunto totalmente diferente que deve ser efectuado por um profissional competente e com muita experiência nesta área, como tal, e por motivos de segurança, não a incluo neste artigo.
09/11/10
DESENVOLVIMENTO SOCIAL E COMPORTAMENTAL DOS CACHORROS
2ª Parte
• Período de transição, crítico ou de “imprinting”
3ª e 4ª Semanas
- Inicia-se a independência nas condutas de eliminação.
- Inicio dos comportamentos lúdicos e exploratórios.
- Inicio do processo de “Imprinting”.
Imprinting
Conceito lançado pela primeira vez pelo naturalista Austríaco Konrad Lorenz (1903 – 1989) Pré-mio Nobel da Medicina em 1973 e considerado o pai da Etologia Moderna. Ele demonstrou que, no trabalho que realizou com gansos, estes seguiriam o primeiro objecto em movimento que encontrassem no seu meio envolvente, mal saíssem dos ovos, ocorrendo assim uma ligação social entre o pequeno ser e o objecto ou organismo que eles vissem em primeiro lugar. Foi o caso da experiência realizada pelo próprio Konrad Lorenz que ao criar uma ninhada de gansos cinzentos desde a oclusão dos ovos, os pequenos gansos o tomaram como sua mãe, seguindo-o incondicionalmente e, mesmo depois de se tornarem adultos, manifestaram sempre maior preferência por ele do que pelos outros gansos.
O comportamento de um animal, de qualquer animal, é o resultado da interacção de dois facto-res fundamentais: a genética e o meio ambiente, e em muitos casos é quase impossível separar o aspecto filogenético (Incluído no seu material genético, herdado) do ambiental. Um dos exem-plos mais curiosos dessas influências no referido comportamento animal é o chamado “imprin-ting” (estampagem ou impregnação em português, apesar do termo, em si ser intraduzível).
O imprinting é a primeira e mais duradoura forma de aprendizagem. Graças a ela, o animal aprende a ser membro da sua espécie, enquanto estabelece relações com os de outra.
Em todas as espécies existe um período, denominado período crítico, durante o qual o factor ambiental é mais susceptível de influenciar o comportamento e é nesse espaço de tempo da vida do animal que a acção do imprinting resulta particularmente intensa e duradoura, tendo grande importância no desenvolvimento dos padrões ontogenéticos (desenvolvidos durante o período de vida do animal) ou vitais.
O período crítico não é o mesmo em todas as espécies. Nas aves, por exemplo, por pertencerem a espécies precociais (espécies de rápido desenvolvimento, necessitam de poucos cuidados parentais, contrário de espécies altriciais), o referido período emerge logo nas primeiras horas depois do nascimento. Nos canídeos esse espaço de tempo inicia-se à terceira semana de vida, quando os cachorros começam a abrir os olhos, e a ouvir.
É importante que, nesta fase, a mãe esteja presente na altura do desenvolvimento sensorial dos cachorros, pois será ela o primeiro elemento que eles verão e será nela que se fixarão como pertencentes a uma determinada espécie.
Para a mãe também é extremamente importante esta fase, pois o desenvolvimento do compor-tamento maternal da fêmea está caracterizado pela aparição de um período sensível em que ela aprende a reconhecer as suas próprias crias assegurando, desta forma, que o instinto maternal se mantenha durante a época de amamentação.
• Período sensível ou de socialização
Da 5ª à 12ª semanas
- É o mais importante da vida do cão.
- Acaba o “imprinting”.
- Começa a exploração ano-genital e a relação social com os parentes.
- Esta fase acaba quando observamos uma reacção elevada de medo perante um estímulo novo.
- É o momento de começar a trabalhar as condutas instintivas.
- Inicia-se a socialização
Como o nome indica, o período de socialização representa para os cachorros uma fase de aprendizagem da vida social. Começa por um período de atracção (não tem medo de nada) e termina geralmente por um período de aversão (tem medo de tudo o que é novo). Os cachorros tornam-se progressivamente capazes de comunicar, e adquirem o sentido da hierarquia interpre-tando as represálias maternas, os sinais olfactivos e de postura.
Se por falta de tempo ou de observação, não se aproveita o período de atracção do cachorro para o acostumar ao seu futuro ambiente (entre a 7ª e a 9ª semanas), será muito mais difícil rec-tificar os maus hábitos adquiridos. Este período, extremamente sensível e maleável, pode ser explorado pelo proprietário ou criador para:
- Favorecer os contactos com os futuros proprietários (em especial com as crianças) caso se trate de um animal de companhia, e com os indivíduos com os quais deverá conviver (carteiros, gatos, ovelhas, etc.);
- Habituar o cachorro aos estímulos que encontrará na sua vida futura (barulhos, odores de rou-pa, tiros se tratar de um cão de caça, carros, comboios, helicópteros, etc.);
- Reforçar a aprendizagem da hierarquia, impondo-lhe, se necessário, posturas de submissão (segurando-o pelo dorso ou pela pele do pescoço). Pelo mesmo método, é possível reforçar os comportamentos desejados e reprimir as actividades indesejadas;
- Motivar os contactos entre cachorros, sancionando aqueles que ainda não controlam bem a intensidade da sua mordida;
- Observar o comportamento dos cachorros para poder orientar a escolha dos futuros proprietá-rios, em função do carácter de cada um. As tendências para a dominância podem ser per-cebidas a partir desta época, através de jogos, imitações sexuais e dos comportamentos alimentares.
- Muitas atitudes ditas “naturais” podem ser adquiridas durante este período, principalmente se a mãe estiver habituada a esses estímulos e se evidenciar uma postura calma junto da sua ninha-da durante o período de aversão.
Socialização
Nos canídeos o período de socialização está compreendido entre as 5 e as 12 semanas. Pode-mos definir esse período como o espaço de tempo compreendido entre o início da maturidade sensorial e a consolidação das estruturas nervosas que controlam a resposta de medo perante situações novas. É ainda durante este espaço de tempo que se dá o desenvolvimento sensorial e locomotor do animal e, graças a ele, o cachorro aprende a deslocar-se, explorar o seu meio envolvente e a interagir com os demais. Às 12 semanas acaba este período com a primeira demonstração de medo como resposta a alguns estímulos novos.
Em determinadas espécies, como os canídeos parece que se produz uma aceitação implícita do humano como companheiro social em pé de igualdade com os membros da sua própria espécie. Uma exposição breve durante o período sensível ou de socialização é suficiente para que se estabeleça uma relação normal com os seres humanos. É nesta fase que o cachorro deve iniciar o contacto com outros cães e fundamentalmente, com adultos e crianças. É a altura de colocar o cachorro perante situações novas parecidas com as que encontrará na fase adulta.
Se até à 14ª semana não se proceder a esta integração do cachorro na sociedade onde irá viver, este deixará de responder e o seu futuro comportamento tenderá para a anormalidade.
Esta fase de socialização é particularmente importante para a vida futura do cachorro e daqueles que com ele irão conviver. É aqui que se irão lançar as bases que definirão a estrutura mental e social de um cão. 90% dos problemas comportamentais anómalos e desviantes de cães que têm chegado ao nosso conhecimento, têm origem numa deficiente, mal conduzida e mal executada fase de socialização.
• Período de transição, crítico ou de “imprinting”
3ª e 4ª Semanas
- Inicia-se a independência nas condutas de eliminação.
- Inicio dos comportamentos lúdicos e exploratórios.
- Inicio do processo de “Imprinting”.
Imprinting
Conceito lançado pela primeira vez pelo naturalista Austríaco Konrad Lorenz (1903 – 1989) Pré-mio Nobel da Medicina em 1973 e considerado o pai da Etologia Moderna. Ele demonstrou que, no trabalho que realizou com gansos, estes seguiriam o primeiro objecto em movimento que encontrassem no seu meio envolvente, mal saíssem dos ovos, ocorrendo assim uma ligação social entre o pequeno ser e o objecto ou organismo que eles vissem em primeiro lugar. Foi o caso da experiência realizada pelo próprio Konrad Lorenz que ao criar uma ninhada de gansos cinzentos desde a oclusão dos ovos, os pequenos gansos o tomaram como sua mãe, seguindo-o incondicionalmente e, mesmo depois de se tornarem adultos, manifestaram sempre maior preferência por ele do que pelos outros gansos.
O comportamento de um animal, de qualquer animal, é o resultado da interacção de dois facto-res fundamentais: a genética e o meio ambiente, e em muitos casos é quase impossível separar o aspecto filogenético (Incluído no seu material genético, herdado) do ambiental. Um dos exem-plos mais curiosos dessas influências no referido comportamento animal é o chamado “imprin-ting” (estampagem ou impregnação em português, apesar do termo, em si ser intraduzível).
O imprinting é a primeira e mais duradoura forma de aprendizagem. Graças a ela, o animal aprende a ser membro da sua espécie, enquanto estabelece relações com os de outra.
Em todas as espécies existe um período, denominado período crítico, durante o qual o factor ambiental é mais susceptível de influenciar o comportamento e é nesse espaço de tempo da vida do animal que a acção do imprinting resulta particularmente intensa e duradoura, tendo grande importância no desenvolvimento dos padrões ontogenéticos (desenvolvidos durante o período de vida do animal) ou vitais.
O período crítico não é o mesmo em todas as espécies. Nas aves, por exemplo, por pertencerem a espécies precociais (espécies de rápido desenvolvimento, necessitam de poucos cuidados parentais, contrário de espécies altriciais), o referido período emerge logo nas primeiras horas depois do nascimento. Nos canídeos esse espaço de tempo inicia-se à terceira semana de vida, quando os cachorros começam a abrir os olhos, e a ouvir.
É importante que, nesta fase, a mãe esteja presente na altura do desenvolvimento sensorial dos cachorros, pois será ela o primeiro elemento que eles verão e será nela que se fixarão como pertencentes a uma determinada espécie.
Para a mãe também é extremamente importante esta fase, pois o desenvolvimento do compor-tamento maternal da fêmea está caracterizado pela aparição de um período sensível em que ela aprende a reconhecer as suas próprias crias assegurando, desta forma, que o instinto maternal se mantenha durante a época de amamentação.
• Período sensível ou de socialização
Da 5ª à 12ª semanas
- É o mais importante da vida do cão.
- Acaba o “imprinting”.
- Começa a exploração ano-genital e a relação social com os parentes.
- Esta fase acaba quando observamos uma reacção elevada de medo perante um estímulo novo.
- É o momento de começar a trabalhar as condutas instintivas.
- Inicia-se a socialização
Como o nome indica, o período de socialização representa para os cachorros uma fase de aprendizagem da vida social. Começa por um período de atracção (não tem medo de nada) e termina geralmente por um período de aversão (tem medo de tudo o que é novo). Os cachorros tornam-se progressivamente capazes de comunicar, e adquirem o sentido da hierarquia interpre-tando as represálias maternas, os sinais olfactivos e de postura.
Se por falta de tempo ou de observação, não se aproveita o período de atracção do cachorro para o acostumar ao seu futuro ambiente (entre a 7ª e a 9ª semanas), será muito mais difícil rec-tificar os maus hábitos adquiridos. Este período, extremamente sensível e maleável, pode ser explorado pelo proprietário ou criador para:
- Favorecer os contactos com os futuros proprietários (em especial com as crianças) caso se trate de um animal de companhia, e com os indivíduos com os quais deverá conviver (carteiros, gatos, ovelhas, etc.);
- Habituar o cachorro aos estímulos que encontrará na sua vida futura (barulhos, odores de rou-pa, tiros se tratar de um cão de caça, carros, comboios, helicópteros, etc.);
- Reforçar a aprendizagem da hierarquia, impondo-lhe, se necessário, posturas de submissão (segurando-o pelo dorso ou pela pele do pescoço). Pelo mesmo método, é possível reforçar os comportamentos desejados e reprimir as actividades indesejadas;
- Motivar os contactos entre cachorros, sancionando aqueles que ainda não controlam bem a intensidade da sua mordida;
- Observar o comportamento dos cachorros para poder orientar a escolha dos futuros proprietá-rios, em função do carácter de cada um. As tendências para a dominância podem ser per-cebidas a partir desta época, através de jogos, imitações sexuais e dos comportamentos alimentares.
- Muitas atitudes ditas “naturais” podem ser adquiridas durante este período, principalmente se a mãe estiver habituada a esses estímulos e se evidenciar uma postura calma junto da sua ninha-da durante o período de aversão.
Socialização
Nos canídeos o período de socialização está compreendido entre as 5 e as 12 semanas. Pode-mos definir esse período como o espaço de tempo compreendido entre o início da maturidade sensorial e a consolidação das estruturas nervosas que controlam a resposta de medo perante situações novas. É ainda durante este espaço de tempo que se dá o desenvolvimento sensorial e locomotor do animal e, graças a ele, o cachorro aprende a deslocar-se, explorar o seu meio envolvente e a interagir com os demais. Às 12 semanas acaba este período com a primeira demonstração de medo como resposta a alguns estímulos novos.
Em determinadas espécies, como os canídeos parece que se produz uma aceitação implícita do humano como companheiro social em pé de igualdade com os membros da sua própria espécie. Uma exposição breve durante o período sensível ou de socialização é suficiente para que se estabeleça uma relação normal com os seres humanos. É nesta fase que o cachorro deve iniciar o contacto com outros cães e fundamentalmente, com adultos e crianças. É a altura de colocar o cachorro perante situações novas parecidas com as que encontrará na fase adulta.
Se até à 14ª semana não se proceder a esta integração do cachorro na sociedade onde irá viver, este deixará de responder e o seu futuro comportamento tenderá para a anormalidade.
Esta fase de socialização é particularmente importante para a vida futura do cachorro e daqueles que com ele irão conviver. É aqui que se irão lançar as bases que definirão a estrutura mental e social de um cão. 90% dos problemas comportamentais anómalos e desviantes de cães que têm chegado ao nosso conhecimento, têm origem numa deficiente, mal conduzida e mal executada fase de socialização.
11/10/10
DESENVOLVIMENTO SOCIAL E COMPORTAMENTAL DOS CACHORROS
(1ª Parte)
Este é um artigo destinado, primeiro aos criadores que desconhecem que, por exemplo, as manipulações neo-natais, executadas correctamente e na altura certa, podem prevenir futuros problemas comportamentais e, depois, aos futuros donos que deverão continuar e completar a socialização dos cachorros, dentro dos parâmetros correctos e adequados às especificidades de cada animal.
Antes do desmame, a mãe assume uma parte activa no desenvolvimento físico e comportamen-tal dos cachorros, parte essa que se mostrará determinante para o equilíbrio e integração poste-rior destes no seu novo meio social.
Ao ter conhecimento das várias etapas do desenvolvimento comportamental e social dos cachorros, evitam-se um elevado número de erros ou de inconvenientes, sendo devidamente aproveitados os períodos mais favoráveis à aprendizagem ou sensíveis à aversão.
Durante as duas primeiras semanas de idade, é útil verificar o instinto materno da reprodutora (especialmente limpeza dos filhos, indispensável para os seus reflexos de micção e defecação) e vigiar o aleitamento colocando os cachorros menos vigorosos ou os mais subordinados, nas mamas que produzem leite mais rico. Por vezes é necessário controlar as unhas dos cachorros, as quais podem traumatizar as mamas e levar a uma recusa da mãe em fornecer o alimento.
Os etologistas têm por hábito dividir o período de maturação do cachorro em quatro etapas sucessivas:
• O Período pré-natal
Os fetos no útero não estão completamente isolados do meio exterior. O desenvolvimento das técnicas de ecografia permitiu observar as diversas reacções dos fetos, quando se realiza na mãe, uma palpação abdominal a partir da quarta semana de gestação. O seu sentido do tacto desenvolve-se, portanto, muito cedo e nada impede de pensar que sejam sensíveis às carícias que o criador faça à mãe durante a gestação. Da mesma forma, o stress da mãe pode aparen-temente ser sentido pelos cachorros, podendo provocar abortos, atrasos de crescimento intra-uterino, deficiências imunitárias, ou mesmo dificuldades de aprendizagem depois do nascimento. Finalmente, embora o olfacto se desenvolva apenas após o nascimento, parece que a alimentação consumida pela mãe durante a gestação, pode de alguma forma, orientar as posteriores preferências alimentares dos seus cachorros.
• O Período neo-natal
1ª e 2ª Semanas
O período neonatal tem início no nascimento e termina com a abertura das pálpebras. Foi fre-quentemente chamado fase vegetativa uma vez que, exteriormente, a vida dos cachorros parece estar dominada pelo sono e por algumas actividades reflexas. Durante esta fase, o cachorro apenas reage aos estímulos tácteis e move-se em direcção às fontes de calor, rastejando. Este tipo de movimento é possível pelo desenvolvimento do sistema nervoso central que se mieliniza na direcção anterior-posterior, permitindo desta forma, a motricidade dos membros anteriores antes da dos membros posteriores. Para além disso, se excluirmos os fenómenos reflexos, a percepção dolorosa é a última a aparecer no desenvolvimento neurológico, o que explica que as caudectomias possam ser realizadas sem anestesia, durante este período. Ainda sobre este tema, os cachorros que nascem sem cauda, geralmente só adquirem o controlo da defecação muito mais tarde, o que vem reforçar o carácter mutilador deste acto de conveniência, cada vez mais reprovado.
Durante o período neonatal, o criador deverá limitar-se a confinar a mãe e a sua ninhada numa maternidade quente e acolhedora. Se constatar uma falta de instinto materno ou se a ninhada for pouco numerosa, poderá completar os estímulos tácteis dos cachorros explorando a normalidade dos seus reflexos (reflexos de micção, de defecação, de mamar, educação gustativa). Os outros estímulos, (música, brinquedos, cores etc.) realizados por vezes no canil, são ainda inúteis nesta idade e apenas perturbam o sono da ninhada.
Manipulações Neo-natais
Quando acontece o nascimento de uma ninhada, devemos actuar de imediato para assegurar o desenvolvimento intelectual dos cachorros desde o primeiro dia.
Para isso vamos aplicar as seguintes manipulações:
MANIPULAÇÃO E OBSERVAÇÃO NO PERÍODO NEONATAL (PRIMEIRA SEMANA)
1º - Observação da maturação do Sistema Nervoso Central
- Durante os primeiros 4 a 5 dias de vida, o cachorro deve apresentar dominância flexora. Para isso pegamo-lo pela base da cabeça e suspendemo-lo no ar. Ele deve responder flexionando as extremidades, a coluna e a cauda. Acariciar e acercá-lo imediatamente do nosso coração (apesar de ele ainda não ouvir). Passados 15 segundos devolvemo-lo à mãe.
2º - Para controlar as respostas motoras complexas medimos o Reflexo de Magnus. Flexione a cabeça do cachorro para um lado. O animal deve responder estendendo a as patas do lado para o qual se girou a cabeça. Acariciar, coração e mãe (igual ao ponto anterior).
3º - Controlo do reflexo de rooting (movimento exploratório com o focinho em direcção a uma fonte de calor). Colocar a mão (à temperatura normal) em forma de copo, precisamente diante da boca do cachorro. O cachorro deve tentar aproximar-se ou localizar a mão. Este reflexo começa a desaparecer aos quatro dias de vida.
Valorize e qualifique estas manipulações com os graus de: Bom, Regular e Mau
Manipulações diárias
Além das manipulações atrás mencionadas, outras devem servir para que o animal tome contac-to com o criador e a sua família. Nesta semana não é conveniente que as crianças toquem nos cachorros.
Depois de mamar devem-se pegar um a um nos cachorros, colocá-los sobre o nosso peito nu, encostados ao nosso coração. Fala-se-lhes com voz calma e de baixa intensidade. Em fundo coloca-se uma música suave (se possível sinfónica) de Mozart ou Chopin. Esta manipulação deve demorar uns 20 minutos por cachorro. É preferível que seja feita por um homem uma vez que o seu timbre e tom de voz são mais baixos. Neste momento os cachorros ainda não ouvem mas são sensíveis às vibrações ambientais.
Antes de irmos para a cama pegamos um a um nos cachorros, deitamo-nos e encostamo-los à nossa boca ao mesmo tempo que exalamos suavemente ar quente sobre a sua trufa. Acaricia-mo-los contra o pêlo e devolvemos à mãe.
Ao levantar de manhã acercamo-nos da caixa fazendo-o com o ruído normal acompanhado de um suave bater de palmas. Excepto durante as manipulações, os cachorros não devem ser importunados durante o dia. O bater de palmas também pode ser substituído por assobios.
OBJECTIVOS:
- Aumento da conduta exploratória;
- Maior desenvolvimento da capacidade de aprendizagem;
- Estimulação do sistema imunológico
MANIPULAÇÃO E OBSERVAÇÃO NO PERÍODO NEONATAL (SEGUNDA SEMANA)
1. Preparação para o período de transição
Há que procurar a simultaneidade entre a estimulação ano-genital por parte da mãe com umas carícias na cabeça a favor do pêlo. Uma vez ao dia por cachorro é o suficiente.
2. Desenvolvimento da conduta exploratória
Durante esta segunda semana mantemos todas as manipulações da primeira, excepto os testes psicomotores. Ainda que, o reflexo de rooting comece a desaparecer a partir do 4º dia, devemos continuar a estimulá-lo para aumentar o gregarismo inter-específico connosco. Uma vez por cachorro. Esta manipulação faz com que o animal, ainda que só se possa arrastar sobre os quartos traseiros, siga a fonte de calor.
3. Diminuição da tendência à emocionalidade.
Ainda que o cachorro abra os condutos auditivos entre o 11º e 14º dia e não comece a reconhe-cer estímulos auditivos até ao 19º - 20º dia, é necessário que introduzamos no seu meio ambien-te estímulos de alta frequência. Para isso utiliza-se um apito de ultra-sons que será usado quan-do o animal estiver a receber outros estímulos agradáveis (alimentação, estimulação ano-genital, etc.). Esta manipulação pode-se fazer em grupo procurando que todos os cachorros estejam despertos. Nesta altura o sono tipo REM deve ser respeitado na medida do possível.
Deve-se ir aumentando a intensidade e frequência do bater de palmas, assobios e qualquer outro som “normal”.
OBJECTIVOS COMPLEMENTARES
- Diminuição da conduta de medo no futuro período sensível;
- Resposta adrenocortical mais flexível e adaptada ao factor stress;
- Aumento da velocidade de crescimento.
Este é um artigo destinado, primeiro aos criadores que desconhecem que, por exemplo, as manipulações neo-natais, executadas correctamente e na altura certa, podem prevenir futuros problemas comportamentais e, depois, aos futuros donos que deverão continuar e completar a socialização dos cachorros, dentro dos parâmetros correctos e adequados às especificidades de cada animal.
Antes do desmame, a mãe assume uma parte activa no desenvolvimento físico e comportamen-tal dos cachorros, parte essa que se mostrará determinante para o equilíbrio e integração poste-rior destes no seu novo meio social.
Ao ter conhecimento das várias etapas do desenvolvimento comportamental e social dos cachorros, evitam-se um elevado número de erros ou de inconvenientes, sendo devidamente aproveitados os períodos mais favoráveis à aprendizagem ou sensíveis à aversão.
Durante as duas primeiras semanas de idade, é útil verificar o instinto materno da reprodutora (especialmente limpeza dos filhos, indispensável para os seus reflexos de micção e defecação) e vigiar o aleitamento colocando os cachorros menos vigorosos ou os mais subordinados, nas mamas que produzem leite mais rico. Por vezes é necessário controlar as unhas dos cachorros, as quais podem traumatizar as mamas e levar a uma recusa da mãe em fornecer o alimento.
Os etologistas têm por hábito dividir o período de maturação do cachorro em quatro etapas sucessivas:
• O Período pré-natal
Os fetos no útero não estão completamente isolados do meio exterior. O desenvolvimento das técnicas de ecografia permitiu observar as diversas reacções dos fetos, quando se realiza na mãe, uma palpação abdominal a partir da quarta semana de gestação. O seu sentido do tacto desenvolve-se, portanto, muito cedo e nada impede de pensar que sejam sensíveis às carícias que o criador faça à mãe durante a gestação. Da mesma forma, o stress da mãe pode aparen-temente ser sentido pelos cachorros, podendo provocar abortos, atrasos de crescimento intra-uterino, deficiências imunitárias, ou mesmo dificuldades de aprendizagem depois do nascimento. Finalmente, embora o olfacto se desenvolva apenas após o nascimento, parece que a alimentação consumida pela mãe durante a gestação, pode de alguma forma, orientar as posteriores preferências alimentares dos seus cachorros.
• O Período neo-natal
1ª e 2ª Semanas
O período neonatal tem início no nascimento e termina com a abertura das pálpebras. Foi fre-quentemente chamado fase vegetativa uma vez que, exteriormente, a vida dos cachorros parece estar dominada pelo sono e por algumas actividades reflexas. Durante esta fase, o cachorro apenas reage aos estímulos tácteis e move-se em direcção às fontes de calor, rastejando. Este tipo de movimento é possível pelo desenvolvimento do sistema nervoso central que se mieliniza na direcção anterior-posterior, permitindo desta forma, a motricidade dos membros anteriores antes da dos membros posteriores. Para além disso, se excluirmos os fenómenos reflexos, a percepção dolorosa é a última a aparecer no desenvolvimento neurológico, o que explica que as caudectomias possam ser realizadas sem anestesia, durante este período. Ainda sobre este tema, os cachorros que nascem sem cauda, geralmente só adquirem o controlo da defecação muito mais tarde, o que vem reforçar o carácter mutilador deste acto de conveniência, cada vez mais reprovado.
Durante o período neonatal, o criador deverá limitar-se a confinar a mãe e a sua ninhada numa maternidade quente e acolhedora. Se constatar uma falta de instinto materno ou se a ninhada for pouco numerosa, poderá completar os estímulos tácteis dos cachorros explorando a normalidade dos seus reflexos (reflexos de micção, de defecação, de mamar, educação gustativa). Os outros estímulos, (música, brinquedos, cores etc.) realizados por vezes no canil, são ainda inúteis nesta idade e apenas perturbam o sono da ninhada.
Manipulações Neo-natais
Quando acontece o nascimento de uma ninhada, devemos actuar de imediato para assegurar o desenvolvimento intelectual dos cachorros desde o primeiro dia.
Para isso vamos aplicar as seguintes manipulações:
MANIPULAÇÃO E OBSERVAÇÃO NO PERÍODO NEONATAL (PRIMEIRA SEMANA)
1º - Observação da maturação do Sistema Nervoso Central
- Durante os primeiros 4 a 5 dias de vida, o cachorro deve apresentar dominância flexora. Para isso pegamo-lo pela base da cabeça e suspendemo-lo no ar. Ele deve responder flexionando as extremidades, a coluna e a cauda. Acariciar e acercá-lo imediatamente do nosso coração (apesar de ele ainda não ouvir). Passados 15 segundos devolvemo-lo à mãe.
2º - Para controlar as respostas motoras complexas medimos o Reflexo de Magnus. Flexione a cabeça do cachorro para um lado. O animal deve responder estendendo a as patas do lado para o qual se girou a cabeça. Acariciar, coração e mãe (igual ao ponto anterior).
3º - Controlo do reflexo de rooting (movimento exploratório com o focinho em direcção a uma fonte de calor). Colocar a mão (à temperatura normal) em forma de copo, precisamente diante da boca do cachorro. O cachorro deve tentar aproximar-se ou localizar a mão. Este reflexo começa a desaparecer aos quatro dias de vida.
Valorize e qualifique estas manipulações com os graus de: Bom, Regular e Mau
Manipulações diárias
Além das manipulações atrás mencionadas, outras devem servir para que o animal tome contac-to com o criador e a sua família. Nesta semana não é conveniente que as crianças toquem nos cachorros.
Depois de mamar devem-se pegar um a um nos cachorros, colocá-los sobre o nosso peito nu, encostados ao nosso coração. Fala-se-lhes com voz calma e de baixa intensidade. Em fundo coloca-se uma música suave (se possível sinfónica) de Mozart ou Chopin. Esta manipulação deve demorar uns 20 minutos por cachorro. É preferível que seja feita por um homem uma vez que o seu timbre e tom de voz são mais baixos. Neste momento os cachorros ainda não ouvem mas são sensíveis às vibrações ambientais.
Antes de irmos para a cama pegamos um a um nos cachorros, deitamo-nos e encostamo-los à nossa boca ao mesmo tempo que exalamos suavemente ar quente sobre a sua trufa. Acaricia-mo-los contra o pêlo e devolvemos à mãe.
Ao levantar de manhã acercamo-nos da caixa fazendo-o com o ruído normal acompanhado de um suave bater de palmas. Excepto durante as manipulações, os cachorros não devem ser importunados durante o dia. O bater de palmas também pode ser substituído por assobios.
OBJECTIVOS:
- Aumento da conduta exploratória;
- Maior desenvolvimento da capacidade de aprendizagem;
- Estimulação do sistema imunológico
MANIPULAÇÃO E OBSERVAÇÃO NO PERÍODO NEONATAL (SEGUNDA SEMANA)
1. Preparação para o período de transição
Há que procurar a simultaneidade entre a estimulação ano-genital por parte da mãe com umas carícias na cabeça a favor do pêlo. Uma vez ao dia por cachorro é o suficiente.
2. Desenvolvimento da conduta exploratória
Durante esta segunda semana mantemos todas as manipulações da primeira, excepto os testes psicomotores. Ainda que, o reflexo de rooting comece a desaparecer a partir do 4º dia, devemos continuar a estimulá-lo para aumentar o gregarismo inter-específico connosco. Uma vez por cachorro. Esta manipulação faz com que o animal, ainda que só se possa arrastar sobre os quartos traseiros, siga a fonte de calor.
3. Diminuição da tendência à emocionalidade.
Ainda que o cachorro abra os condutos auditivos entre o 11º e 14º dia e não comece a reconhe-cer estímulos auditivos até ao 19º - 20º dia, é necessário que introduzamos no seu meio ambien-te estímulos de alta frequência. Para isso utiliza-se um apito de ultra-sons que será usado quan-do o animal estiver a receber outros estímulos agradáveis (alimentação, estimulação ano-genital, etc.). Esta manipulação pode-se fazer em grupo procurando que todos os cachorros estejam despertos. Nesta altura o sono tipo REM deve ser respeitado na medida do possível.
Deve-se ir aumentando a intensidade e frequência do bater de palmas, assobios e qualquer outro som “normal”.
OBJECTIVOS COMPLEMENTARES
- Diminuição da conduta de medo no futuro período sensível;
- Resposta adrenocortical mais flexível e adaptada ao factor stress;
- Aumento da velocidade de crescimento.
10/09/10
ELIMINAÇÃO INADEQUADA
• Definição
Se um cão, durante uma semana, faz as necessidades no tapete, na carpete ou no chão da cozinha ou da sala, qual poderá ser a causa deste distúrbio comportamental? Marcação territorial? Micção por submissão? Ansiedade por separação? Pode ser uma destas condutas, nenhuma ou várias. Pode ser simplesmente que o cão está a chamar a atenção porque houve alterações à rotina e o dono não passa tempo suficiente com ele. Também poderá tratar-se de uma pequena infecção urinária de que o dono não se tenha dado conta e, neste caso, um antibiótico solucionará o problema. Portanto, a solução não passa pelo clássico esfregar do focinho do cão na urina ou nas fezes para lhe “dizer” que não devia ter feito naquele local.
O que queremos dizer é que este é um problema de conduta multifactorial e que nem todos os casos obedecem às mesmas causas. Portanto, devemos analisar caso a caso individualmente e não cair em estereótipos que pela parecença e similitudes com outros casos possamos cair no erro de fazer diagnósticos errados interferindo assim no êxito do tratamento.
A eliminação inadequada é um problema maior para o dono do que para o cão. O animal tem que fazer as suas necessidades e, logicamente, o facto de as fazer num local ou noutro é um problema nosso, sobretudo por questões higiénicas e deterioração do mobiliário e portas.
Por um lado, este problema é tão importante uma vez que é um dos primeiros que levam ao abandono do animal ou provocar a sua eutanásia. Por outro, é mais fácil proceder dessa forma do que solicitar uma consulta especializada em comportamento.
Portanto, é responsabilidade do profissional fazer um diagnóstico adequado que lhe permita levar a cabo um tratamento correcto e uma monitorização exaustiva de todo o processo, com a finalidade de se assegurar do seu correcto funcionamento. Assim, se o tratamento não está a ser eficaz, estaremos a tempo de o reorientar ou reajustar.
• Diagnóstico
Como dissemos anteriormente é muito importante chegar a um diagnóstico correcto, não só para um eficaz tratamento, mas também pela implicação afectiva subjacente à possibilidade de um triste final.
Para o profissional, o êxito no diagnóstico baseia-se num conhecimento o mais profundo possível da situação, incluindo visitas ao domicílio se achar necessário. Não se devem esquecer alguns factores como a existência de outros cães em casa, se o animal tem vindo a eliminar correctamente antes dos episódios, se o faz na presença ou ausência do dono ou se existem possíveis estímulos causadores de medo no animal.
Portanto, dentro do diagnóstico diferencial devemos incluir as razões médicas como primeiro motivo causal. Dentro delas devemos considerar todas as doenças que interfiram com a poliúria ou polaciúria, incluindo enfermidades do trato urinário, renal, problemas endócrinos e neurológicos. Também há que ter em conta a defecção inadequada, que ainda que menos frequente representa uma percentagem importante de eliminações inadequadas. Neste caso teríamos que considerar problemas gastrointestinais como parasitas, infecções bacterianas e víricas, alergia alimentar, corpos estranhos, obstrução intestinal, mudanças alimentares ou ambiente, mudanças na mobilidade intestinal derivadas da idade, assim como dor na coluna ou nas articulações.
Em relação às causas não orgânicas e que se supõe que sejam um problema comportamental em si, destacamos as seguintes:
Aprendizagem inadequada ou falta de aprendizagem
Considera-se que um cão não aprendeu correctamente a conduta de eliminação quando, com mais de 6 meses e ocasionalmente faz as necessidades em casa, não passou mais de um mês seguido fazendo unicamente fora e este comportamento acontece tanto na presença como na ausência do dono. Estes cães quando em cachorros não aprenderam correctamente ou podem ter desenvolvido uma preferência por um certo tipo de local inadequado. Outros cães que foram adoptados, ao levá-los ao local adequado, contrariamente ao que nós pensamos, preferem eliminar em casa.
Acesso insuficiente
Os cães que já têm um esquema adequado de eliminação podem voltar a fazê-lo em zonas indevidas por mudanças na rotina do dono ou por restrição de acesso a essas zonas. Isto é especialmente importante em cães velhos, já que não têm a mesma frequência de eliminações. Também se dá no caso de cães demasiado tímidos ou medrosos, que por ansiedade em determinados ambientes, não eliminam até que não estejam tranquilos.
Há que recordar que em casos de acesso insuficiente, o cão, por necessidade, eliminará em qualquer sítio.
Preferência por um local
A preferência por um local concreto para a eliminação começa a desenvolver-se por volta das 8-9 semanas de idade. É o momento para o ensinar a discriminar entre os locais permitidos e os proibidos. Um caso especial é ensiná-los a eliminar à ordem.
Ansiedade por separação.
É um dos sintomas que o cão pode apresentar nos transtornos relacionados com a separação de algum dos membros da família. Para que possa ser considerado como ansiedade por separação tem que se dar nas seguintes circunstâncias:
• Que a conduta de eliminação aconteça quando o dono ou algum dos membros da família não estão em casa;
• Nunca o fazem com o dono em casa;
• Sabe-se que o animal teve uma aprendizagem adequada em relação à eliminação;
• Não há nenhuma causa médica;
• As mudanças de rotina são menos importantes que a presença ou ausência do dono
• Existem outros comportamentos inadequados como destruição.
Marcação
É um comportamento facilitado social e hormonalmente. É especialmente frequente em machos inteiros.
Nas fêmeas é menos comum o comportamento de marcação através de urina, ainda que, se estão em cio efectuam padrões de urina mais frequentemente, em menores quantidades e geralmente diante de outras fêmeas e machos.
A marcação frequente com urina está relacionada com o estabelecimento da posição dentro da hierarquia do grupo. Quando um cão marca há que fazer uma análise muito detalhada de todas as interacções sociais do animal. Pode ser também um sinal de dominância, de agressividade ou de ansiedade.
A marcação com fezes é menos frequente que com urina, tanto em fêmeas como em machos.
Micção por submissão
Acontece com frequência em cachorros, fêmeas jovens e cães castigados inconsistentemente. Pode-se evitar ignorando esta conduta e premiando outras incompatíveis com a mesma. Sobretudo não se devem adoptar posturas demasiado dominantes com o animal. Sendo assim o uso do castigo é desaconselhado já que o cão, não entendendo o que queremos dele, fortalecerá a conduta e esta tende a perpetuar-se no tempo.
Há que procurar eliminar bem o odor, sobretudo em cães que não aprenderam a eliminar adequadamente, porque cheirar a sua própria urina estimula-os a fazer continuamente no mesmo local.
Micção por excitação
É frequente em cães jovens que todavia não têm controlo sobre os esfíncteres. Quanto mais excitação lhes provocamos, mais fortalecido aparecerá o problema. A urina não se evacua numa postura correcta, mas enquanto o cão anda ou salta. Há que reforçar as condutas compatíveis com a tranquilidade e a relaxação, assim como o exercício físico.
Micção por medo
Produz-se por uma contracção dos músculos da bexiga e do cólon devido ao medo extremo. Para a diferenciar da micção por submissão, esta micção e defecação deve ir acompanhada por outros sinais de medo, como taquicardia, taquipnéia (aumento da frequência respiratória), pelo eriçado, midríase (dilatação do diâmetro da pupila ocular) ou salivação.
Para eliminar este comportamento há que tratar da causa do medo, programas de alteração de conduta e medicação se for necessário.
Chamar à atenção
Acontece em cães que tentam chamar à atenção do seu dono eliminando no interior da casa, para que sejam levados para o exterior ou simplesmente para serem notados.
Incontinência de cães velhos dependente de estrogénios, ou Disfunção Cognitiva
Dá-se em fêmeas esterilizadas ou em cães de idade avançada, enquanto estão despertos ou relaxados. Não têm cabimento, aqui, as medidas de alteração de comportamento nem o castigo. Podem ser usados medicamentos que aumentem a funcionalidade do esfíncter.
• Tratamento
O tratamento deste problema de comportamento pode ser interminável e de difícil correcção se não estivermos na posse de um diagnóstico correcto e não tenhamos realizado uma análise suficientemente exaustiva do problema.
Os princípios gerais do tratamento a considerar são três:
• Eliminar a possibilidade do cão fazer as suas necessidades dentro de casa;
• Proporcionar-lhe frequentes oportunidades para a eliminação;
• Fazer da eliminação, num local adequado, algo muito agradável para o cão.
Quanto às causas médicas, supostamente o começo está em diagnosticá-las definitivamente, mediante exames complementares e tratá-las devidamente.
Se foi diagnosticada uma eliminação inadequada por falta de aprendizagem, o tratamento será canalizado para começar do zero e conseguir que o cão entenda que o local adequado para eliminar é fora de casa e a umas horas certas. Não se deve usar o castigo, sobretudo inconsequente.
Os cães velhos que sofrem de disfunção cognitiva, dores nas articulações ou incontinência dependente de estrogenios, devem-se tratar com medicação adequada. Neste caso pouco podem fazer as medidas de actuação, ainda que pode servir, em determinados cães, facilitar-lhes o acesso às zonas de eliminação tornando-as mais curtas e mais fáceis, como por exemplo não ter que subir ou descer escadas.
Nos casos de micção por submissão ou por excitação o que mais ajuda é precisamente evitar as situações nas quais o cão se sente ameaçado ou excitado, por exemplo quando nos aproximamos dele ou quando lhe colocamos a coleira. É muito difícil convencer um dono de que não se deve aproximar do seu cão ou, nalgumas ocasiões, nem olhá-lo, mas isto é parte fundamental da solução deste problema. Em casos muito específicos, ou naqueles em que o cão foi sistematicamente castigado, deve-se incluir a medicação no programa de tratamento.
O tratamento nos casos diagnosticados como ansiedade por separação, deve-se aplicar um programa específico para o tratamento desta patologia comportamental.
Por último, se se trata de marcação, devemos estabelecer programas de correcção comportamental relacionadas com a causa principal: estabelecimento de estatuto hierárquico condizente com a posição do cão no seio da matilha humana, diminuição da ansiedade por um estatuto indefinido ou castigos indiscriminados e castração ou fármacos nos casos em que se diagnostiquem como medidas úteis de tratamento.
Em resumo
Como mencionámos anteriormente, este é um problema que tem solução, mas esta passa irremediavelmente pela aplicação do dono num plano de tratamento que lhe seja sugerido.
Como o cão ainda não aprendeu a falar como efeito da domesticação – agradecemos tal ainda não ter acontecido – não podemos explicar-lhe com palavras onde queremos que faça as suas necessidades. Portanto, teremos que utilizar os princípios básicos da aprendizagem animal e sobretudo toda a paciência, muita e muita paciência. O dono não deve entrar em desespero mas ver positivamente todos os avanços, por muito pequenos que sejam, e comunicar ao terapeuta qualquer mudança não esperada no plano de tratamento, na sua rotina ou na atitude do seu cão.
O dono tem que ter em conta que tem um cão que em cachorro habituou-se a um certo local e modo de vida, e que, se decidiu adquiri-lo é porque pesou os prós e os contras. Mas também é verdade: Que aborrecido seria ter-mos um cão robot!
Se um cão, durante uma semana, faz as necessidades no tapete, na carpete ou no chão da cozinha ou da sala, qual poderá ser a causa deste distúrbio comportamental? Marcação territorial? Micção por submissão? Ansiedade por separação? Pode ser uma destas condutas, nenhuma ou várias. Pode ser simplesmente que o cão está a chamar a atenção porque houve alterações à rotina e o dono não passa tempo suficiente com ele. Também poderá tratar-se de uma pequena infecção urinária de que o dono não se tenha dado conta e, neste caso, um antibiótico solucionará o problema. Portanto, a solução não passa pelo clássico esfregar do focinho do cão na urina ou nas fezes para lhe “dizer” que não devia ter feito naquele local.
O que queremos dizer é que este é um problema de conduta multifactorial e que nem todos os casos obedecem às mesmas causas. Portanto, devemos analisar caso a caso individualmente e não cair em estereótipos que pela parecença e similitudes com outros casos possamos cair no erro de fazer diagnósticos errados interferindo assim no êxito do tratamento.
A eliminação inadequada é um problema maior para o dono do que para o cão. O animal tem que fazer as suas necessidades e, logicamente, o facto de as fazer num local ou noutro é um problema nosso, sobretudo por questões higiénicas e deterioração do mobiliário e portas.
Por um lado, este problema é tão importante uma vez que é um dos primeiros que levam ao abandono do animal ou provocar a sua eutanásia. Por outro, é mais fácil proceder dessa forma do que solicitar uma consulta especializada em comportamento.
Portanto, é responsabilidade do profissional fazer um diagnóstico adequado que lhe permita levar a cabo um tratamento correcto e uma monitorização exaustiva de todo o processo, com a finalidade de se assegurar do seu correcto funcionamento. Assim, se o tratamento não está a ser eficaz, estaremos a tempo de o reorientar ou reajustar.
• Diagnóstico
Como dissemos anteriormente é muito importante chegar a um diagnóstico correcto, não só para um eficaz tratamento, mas também pela implicação afectiva subjacente à possibilidade de um triste final.
Para o profissional, o êxito no diagnóstico baseia-se num conhecimento o mais profundo possível da situação, incluindo visitas ao domicílio se achar necessário. Não se devem esquecer alguns factores como a existência de outros cães em casa, se o animal tem vindo a eliminar correctamente antes dos episódios, se o faz na presença ou ausência do dono ou se existem possíveis estímulos causadores de medo no animal.
Portanto, dentro do diagnóstico diferencial devemos incluir as razões médicas como primeiro motivo causal. Dentro delas devemos considerar todas as doenças que interfiram com a poliúria ou polaciúria, incluindo enfermidades do trato urinário, renal, problemas endócrinos e neurológicos. Também há que ter em conta a defecção inadequada, que ainda que menos frequente representa uma percentagem importante de eliminações inadequadas. Neste caso teríamos que considerar problemas gastrointestinais como parasitas, infecções bacterianas e víricas, alergia alimentar, corpos estranhos, obstrução intestinal, mudanças alimentares ou ambiente, mudanças na mobilidade intestinal derivadas da idade, assim como dor na coluna ou nas articulações.
Em relação às causas não orgânicas e que se supõe que sejam um problema comportamental em si, destacamos as seguintes:
Aprendizagem inadequada ou falta de aprendizagem
Considera-se que um cão não aprendeu correctamente a conduta de eliminação quando, com mais de 6 meses e ocasionalmente faz as necessidades em casa, não passou mais de um mês seguido fazendo unicamente fora e este comportamento acontece tanto na presença como na ausência do dono. Estes cães quando em cachorros não aprenderam correctamente ou podem ter desenvolvido uma preferência por um certo tipo de local inadequado. Outros cães que foram adoptados, ao levá-los ao local adequado, contrariamente ao que nós pensamos, preferem eliminar em casa.
Acesso insuficiente
Os cães que já têm um esquema adequado de eliminação podem voltar a fazê-lo em zonas indevidas por mudanças na rotina do dono ou por restrição de acesso a essas zonas. Isto é especialmente importante em cães velhos, já que não têm a mesma frequência de eliminações. Também se dá no caso de cães demasiado tímidos ou medrosos, que por ansiedade em determinados ambientes, não eliminam até que não estejam tranquilos.
Há que recordar que em casos de acesso insuficiente, o cão, por necessidade, eliminará em qualquer sítio.
Preferência por um local
A preferência por um local concreto para a eliminação começa a desenvolver-se por volta das 8-9 semanas de idade. É o momento para o ensinar a discriminar entre os locais permitidos e os proibidos. Um caso especial é ensiná-los a eliminar à ordem.
Ansiedade por separação.
É um dos sintomas que o cão pode apresentar nos transtornos relacionados com a separação de algum dos membros da família. Para que possa ser considerado como ansiedade por separação tem que se dar nas seguintes circunstâncias:
• Que a conduta de eliminação aconteça quando o dono ou algum dos membros da família não estão em casa;
• Nunca o fazem com o dono em casa;
• Sabe-se que o animal teve uma aprendizagem adequada em relação à eliminação;
• Não há nenhuma causa médica;
• As mudanças de rotina são menos importantes que a presença ou ausência do dono
• Existem outros comportamentos inadequados como destruição.
Marcação
É um comportamento facilitado social e hormonalmente. É especialmente frequente em machos inteiros.
Nas fêmeas é menos comum o comportamento de marcação através de urina, ainda que, se estão em cio efectuam padrões de urina mais frequentemente, em menores quantidades e geralmente diante de outras fêmeas e machos.
A marcação frequente com urina está relacionada com o estabelecimento da posição dentro da hierarquia do grupo. Quando um cão marca há que fazer uma análise muito detalhada de todas as interacções sociais do animal. Pode ser também um sinal de dominância, de agressividade ou de ansiedade.
A marcação com fezes é menos frequente que com urina, tanto em fêmeas como em machos.
Micção por submissão
Acontece com frequência em cachorros, fêmeas jovens e cães castigados inconsistentemente. Pode-se evitar ignorando esta conduta e premiando outras incompatíveis com a mesma. Sobretudo não se devem adoptar posturas demasiado dominantes com o animal. Sendo assim o uso do castigo é desaconselhado já que o cão, não entendendo o que queremos dele, fortalecerá a conduta e esta tende a perpetuar-se no tempo.
Há que procurar eliminar bem o odor, sobretudo em cães que não aprenderam a eliminar adequadamente, porque cheirar a sua própria urina estimula-os a fazer continuamente no mesmo local.
Micção por excitação
É frequente em cães jovens que todavia não têm controlo sobre os esfíncteres. Quanto mais excitação lhes provocamos, mais fortalecido aparecerá o problema. A urina não se evacua numa postura correcta, mas enquanto o cão anda ou salta. Há que reforçar as condutas compatíveis com a tranquilidade e a relaxação, assim como o exercício físico.
Micção por medo
Produz-se por uma contracção dos músculos da bexiga e do cólon devido ao medo extremo. Para a diferenciar da micção por submissão, esta micção e defecação deve ir acompanhada por outros sinais de medo, como taquicardia, taquipnéia (aumento da frequência respiratória), pelo eriçado, midríase (dilatação do diâmetro da pupila ocular) ou salivação.
Para eliminar este comportamento há que tratar da causa do medo, programas de alteração de conduta e medicação se for necessário.
Chamar à atenção
Acontece em cães que tentam chamar à atenção do seu dono eliminando no interior da casa, para que sejam levados para o exterior ou simplesmente para serem notados.
Incontinência de cães velhos dependente de estrogénios, ou Disfunção Cognitiva
Dá-se em fêmeas esterilizadas ou em cães de idade avançada, enquanto estão despertos ou relaxados. Não têm cabimento, aqui, as medidas de alteração de comportamento nem o castigo. Podem ser usados medicamentos que aumentem a funcionalidade do esfíncter.
• Tratamento
O tratamento deste problema de comportamento pode ser interminável e de difícil correcção se não estivermos na posse de um diagnóstico correcto e não tenhamos realizado uma análise suficientemente exaustiva do problema.
Os princípios gerais do tratamento a considerar são três:
• Eliminar a possibilidade do cão fazer as suas necessidades dentro de casa;
• Proporcionar-lhe frequentes oportunidades para a eliminação;
• Fazer da eliminação, num local adequado, algo muito agradável para o cão.
Quanto às causas médicas, supostamente o começo está em diagnosticá-las definitivamente, mediante exames complementares e tratá-las devidamente.
Se foi diagnosticada uma eliminação inadequada por falta de aprendizagem, o tratamento será canalizado para começar do zero e conseguir que o cão entenda que o local adequado para eliminar é fora de casa e a umas horas certas. Não se deve usar o castigo, sobretudo inconsequente.
Os cães velhos que sofrem de disfunção cognitiva, dores nas articulações ou incontinência dependente de estrogenios, devem-se tratar com medicação adequada. Neste caso pouco podem fazer as medidas de actuação, ainda que pode servir, em determinados cães, facilitar-lhes o acesso às zonas de eliminação tornando-as mais curtas e mais fáceis, como por exemplo não ter que subir ou descer escadas.
Nos casos de micção por submissão ou por excitação o que mais ajuda é precisamente evitar as situações nas quais o cão se sente ameaçado ou excitado, por exemplo quando nos aproximamos dele ou quando lhe colocamos a coleira. É muito difícil convencer um dono de que não se deve aproximar do seu cão ou, nalgumas ocasiões, nem olhá-lo, mas isto é parte fundamental da solução deste problema. Em casos muito específicos, ou naqueles em que o cão foi sistematicamente castigado, deve-se incluir a medicação no programa de tratamento.
O tratamento nos casos diagnosticados como ansiedade por separação, deve-se aplicar um programa específico para o tratamento desta patologia comportamental.
Por último, se se trata de marcação, devemos estabelecer programas de correcção comportamental relacionadas com a causa principal: estabelecimento de estatuto hierárquico condizente com a posição do cão no seio da matilha humana, diminuição da ansiedade por um estatuto indefinido ou castigos indiscriminados e castração ou fármacos nos casos em que se diagnostiquem como medidas úteis de tratamento.
Em resumo
Como mencionámos anteriormente, este é um problema que tem solução, mas esta passa irremediavelmente pela aplicação do dono num plano de tratamento que lhe seja sugerido.
Como o cão ainda não aprendeu a falar como efeito da domesticação – agradecemos tal ainda não ter acontecido – não podemos explicar-lhe com palavras onde queremos que faça as suas necessidades. Portanto, teremos que utilizar os princípios básicos da aprendizagem animal e sobretudo toda a paciência, muita e muita paciência. O dono não deve entrar em desespero mas ver positivamente todos os avanços, por muito pequenos que sejam, e comunicar ao terapeuta qualquer mudança não esperada no plano de tratamento, na sua rotina ou na atitude do seu cão.
O dono tem que ter em conta que tem um cão que em cachorro habituou-se a um certo local e modo de vida, e que, se decidiu adquiri-lo é porque pesou os prós e os contras. Mas também é verdade: Que aborrecido seria ter-mos um cão robot!
11/08/10
INGESTÃO INADEQUADA - Alimentação Estranha – Coprogafia – Objectos
Por ser sempre um tema que causa grande angústia aos donos, a Ingestão Inadequada deve ser tratada com a devida cautela e com o rigor que, como todos os temas em que pode estar a vida do animal em causa, deve ser abordado. Como em todas as patologias, comportamentais ou fisiologias, a prevenção é sempre o melhor meio para serem combatidas. Sendo assim, decidi escrever este artigo, não só para ajudar todos os donos a prevenirem-se contra este pesadelo, mas também ajudar aqueles que, já estando confrontados com ele, o possam tratar da melhor forma possível, dispondo de todos os mecanismos existentes neste momento para o combater. De qualquer maneira, é sempre importante o acompanhamento de um profissional com conhecimentos nesta área.
• Alimentação Estranha
Um cão deve saber recusar sempre a comida que não lhe tenha sido oferecida pelo dono ou pelos familiares que com ele convivem. Este hábito pode salvar-lhe a vida.
Por razões evidentes, ensinar a recusar a comida é um dos pontos essenciais no adestramento dos cães, principalmente de cães que também são utilizados como guarda, já que, infelizmente, cada vez e com mais frequência é utilizada a bola de carne envenenada por ladrões, intrusos ou até, por vizinhos moralmente mal formados desejosos de se livrarem de um animal ruidoso ou de que não gostam.
Regras Básicas
Para se conseguir obter um bom resultado é necessário respeitar escrupulosamente certas regras, mesmo antes de ensinar um cão a recusar alimento oferecido por um estranho:
- O cão deve estar bem alimentado com uma comida de qualidade que lhe proporcione todos os nutrientes necessários.
- Nunca se deve dar comida ao cão fora das horas de refeições.
- Não lhe dar comida quando se está sentado à mesa. Se o cão perder o hábito de mendigar comida, deixará comer tranquilamente os donos e permanecerá no seu lugar.
- Não deixar os amigos ou convidados oferecer guloseimas ao cão. Os Veterinários têm por hábito oferecer aos cães, que estão em consulta, guloseimas para lhes conquistar a confiança. Esse procedimento não deve ser permitido pelo dono.
- Dar de comer ao cão sempre no mesmo comedouro, à mesma hora e no mesmo local.
- Não dar de comer com a mão.
- Não o deixar ingerir comida abandonada durante os passeios (o cão ao passear deve andar com a cabeça levantada e não a farejar permanentemente o solo).
Apenas quando o cão e o dono tiverem adquirido estes hábitos se pode iniciar o treino para que o cão recuse comida que um estranho lhe ofereça.
O Início
Deve iniciar-se o treino por volta dos dez, doze meses, quando o animal já estiver habituado ao seu horário de refeições e aprendeu as regras elementares de obediência, pelo que já responde correctamente, às ordens de sentado, deitado, quieto, larga e vem à chamada. Existem vários métodos de treino mas todos têm uma regra comum: nunca abandonar um cão perante um fracasso. O objectivo é que o cão desconfie perante qualquer guloseima ou alimento que encontre casualmente ou lhe seja oferecido por alguém que não sejam os donos.
O Treino
Para o treino deste problema comportamental somos forçados a utilizar o Castigo Positivo uma vez que pode estar em causa a vida do animal.
É necessária uma pessoa desconhecida do cão. Será encarregue de dar ou lançar alimentos que devem surpreender desagradavelmente o animal: pedaços com pimenta, com mostarda forte, com malaguetas, com óleo de rícino; alimentos que estejam unidos à ponta de um elástico que lhe baterá no focinho ao morder e puxar
Para dissuadir o cão de comer alimento abandonado no solo, existem vários métodos: colocar comida sobre um ratoeira dissimulada com ervas ou terra, unir a bola de carne a latas de refrigerante que cairão sobre o cão ao puxar a comida com os dentes, etc.
Não obstante, não há cães infalíveis, pelo que há que ter em conta que se durante os seus passeios um cão encontra habitualmente o mesmo tipo de comida, pode acostumar-se a ela e esquecer os efeitos nocivos que o comê-la lhe poderiam provocar. Por isso, voltamos a lembrar, que é importante acostumar o cão a não ingerir nada que não lhe tenha sido dado pelo dono, sendo assim, também não é superficial insistir que o cão não coma fora do sítio ou das suas horas habituais, dando-lhe sempre uma ração suficiente e alta qualidade, se bem que não excessiva, de maneira a que evite a obesidade e não passe fome o resto do dia.
Podemos igualmente utilizar um processo mais soft, que consiste em pedirmos a uma pessoa desconhecida para o cão que atire um pedaço de alimento apetitoso enquanto andamos a passear o cão à trela, primeiro fora e depois dentro do quintal, e na altura em que o cão vai para o comer, devemos dar um puxão forte na trela e repreender o cão com um “NÃO” forte e depois, quando já se tiver desligado do estímulo, recompensá-lo com uma carícia e um suave “MUITO BEM”. Pode-se também utilizar este método quando o passeamos na rua e ele fica tentado a comer algo que encontrou no chão junto a um caixote do lixo.
Qualquer que seja o método, é conveniente praticar o treino em diversos locais, como a casa, o jardim, a rua ou o carro, e em diferentes situações e com alimentos diversos.
A recusa de comida constitui em alguns países uma prova que se pratica em concursos de trabalho. Para isso, colocam-se diferentes tipos de comida nos lugares que o juiz determinar, sendo sempre suficientemente grandes para serem claramente visíveis e apetitosas, tais como: carne crua ou guisada, ossos, peixe, queijo, bolos, açúcar, etc., o cão deve efectuar o seu percurso sem comer nem lamber nenhuma das comidas.
Em seguida, o cão deve permanecer quieto e recusar pedaços de comida atirados de uma distância de 3 metros sem estar presente o proprietário. Concluída a prova, o cão é chamado pelo nome e deve correr para o lado do seu guia. Durante toda a prova, o cão não pode demonstrar medo ou agressividade.
• Coprofagia
A coprofagia é um comportamento anómalo que se traduz no acto de os cães ingerirem as suas próprias fezes ou as de outros animais.
Este comportamento só é normal em mães em fase de amamentação que ingerem as fezes e urina dos seus cachorros com o objectivo de limpar o ninho e de evitar a propagação de odores a fim de não atraírem os predadores. Em todas as outras situações este é um comportamento anormal mas não patológico.
Causas
As causas deste comportamento podem ser várias, sendo que, os próprios investigadores não são unânimes nas suas conclusões. De seguida descrevemos as teorias definidas pelos referidos investigadores
- Enfermidades tais: como parasítoses, intoxicação por chumbo, insuficiência pancreática e qualquer processo que afecte a amígdala que é a estrutura do SNC (Sistema Nervoso Central) encarregue da selecção de alimento. Como exemplo deste último temos o vírus da raiva, que por vezes se aloja neste órgão.
- Carência de elementos nutritivos como o ferro, vitamina B ou zinco
- Conduta reforçada pelo dono. O cão fá-lo para chamar a atenção do dono ou para evitar ser castigado se este vê as fezes.
- Pode igualmente dever-se ao ambiente vivido pelos cachorros durante a amamentação. Isto implicaria que o cachorro fixa comportamentos como o de estar em ambiente sujo da caixa parideira e comendo no mesmo local, como tal associa as fezes à ingestão de alimentos. Por vezes também as poderá associar a condutas exploratórias e lúdicas mordendo-as e jogando com elas. Também se tem especulado com a ideia de que associe o hálito da mãe que ingere as fezes, com o odor da comida.
- Situações de deficiência nutricional, má nutrição ou fome. É suposto que em condições em que o cachorro esteja mal alimentado ou com fome ingira as suas fezes para sobreviver. Assim como uma dieta desequilibrada ou de baixa qualidade poderia influir numa conduta de ingestão das próprias fezes ou de outros.
- Como meio de aproveitar enzimas digestivas presentes nas fezes como é o caso do ácido deoxicólico que diminui o risco de enterites e facilita a assimilação dos ácidos gordos.
- Resposta a situações de stress devidas a confinamento a espaços reduzidos com total ausência de estímulos, e a consequente restrição de movimentos e de interacção social.
Tratamento
Em primeiro lugar deve de se fazer um check-up total ao cão para despistar eventuais problemas orgânicos que possam existir.
No caso das funções orgânicas se encontrarem em perfeitas condições e que tenha sido descartado também a possível causa de uma alimentação deficitária ou de baixa qualidade, centrar-nos-emos nas outras possíveis causas deste comportamento.
Ao animal deve ser proporcionado um ambiente rico em jogos interactivos, uma rotina fixa que inclua saídas ao exterior para fazer as suas necessidades e adestramento em obediência com enfoque no comando “larga”.
Como é lógico o ambiente do cão deve ser o mais higiénico possível eliminando as fezes rapidamente. Se temos vários cães seria útil utilizarmos uma câmara de vídeo para podermos averiguar o causador ou responsável por esta conduta.
Para eliminar este comportamento utiliza-se o fenómeno da aversão alimentar que consiste no seguinte: cobre-se as fezes com uma substância desagradável para o animal, quer seja pelo odor ou pelo sabor e que provoque vómitos ou dores abdominais. As consequências gastrointestinais subsequentes sofridas pelo cão devido à ingestão das fezes cobertas por esses produtos, farão com que o animal condicione que sofrerá consequências se as ingerir e não queira provar de novo.
Conclusão
O tema é muito polémico mesmo entre os estudiosos da matéria. Não há receitas milagrosas o que deve haver é um cuidado emergente em proporcionar ao cão o máximo de estímulos positivos e que viva num meio o mais higiénico possível.
• Objectos
Pedras, bolas, meias de senhora, peúgas, pedaços de sapato, trapos, brinquedos, objectos em plástico, etc., são objectos que poderão ser engolidos por um animal com graves consequências para a sua saúde se não forem rapidamente retirados, muitas das vezes cirurgicamente. Para evitar este grave problema, é uma boa prática treinar o cão a reconhecer e evitar engolir esses objectos.
Treino
Devido à sua gravidade, vamos utilizar novamente o Castigo Positivo como método de adestramento e, basicamente, o treino é idêntico ao segundo processo de treino de rejeição de alimentação estranha. Assim, vamos proceder da seguinte forma:
Dispomos pelo chão uma série de objectos que sabemos que o cão gosta mas que não deve engolir. Colocamos-lhe a trela e propositadamente aproximamo-nos dos objectos e, na altura em que o cão vai para os cheirar, devemos dar um puxão forte na trela e repreender o cão com um “NÃO” forte e depois, quando já se tiver desligado do estímulo, recompensá-lo com uma carícia e um suave “MUITO BEM”. Pode-se também utilizar este método quando o passeamos na rua e ele fica tentado a engolir algo que encontrou no chão.
Como todos os treinos, este só é eficaz quando repetido muitas vezes até o cão ter a percepção de que nem tudo serve para comer.
Conclusões
A ingestão inadequada de alimentos, fezes ou objectos é uma patologia comportamental grave, mas com uma taxa de sucesso no seu tratamento bastante alta. Cabe ao terapeuta e fundamentalmente ao dono, adoptarem os procedimentos correctos e, não desanimarem perante algum fracasso que possa aparecer durante o processo de resolução do problema, uma vez que na grande maioria dos casos está em jogo a própria vida do animal.
• Alimentação Estranha
Um cão deve saber recusar sempre a comida que não lhe tenha sido oferecida pelo dono ou pelos familiares que com ele convivem. Este hábito pode salvar-lhe a vida.
Por razões evidentes, ensinar a recusar a comida é um dos pontos essenciais no adestramento dos cães, principalmente de cães que também são utilizados como guarda, já que, infelizmente, cada vez e com mais frequência é utilizada a bola de carne envenenada por ladrões, intrusos ou até, por vizinhos moralmente mal formados desejosos de se livrarem de um animal ruidoso ou de que não gostam.
Regras Básicas
Para se conseguir obter um bom resultado é necessário respeitar escrupulosamente certas regras, mesmo antes de ensinar um cão a recusar alimento oferecido por um estranho:
- O cão deve estar bem alimentado com uma comida de qualidade que lhe proporcione todos os nutrientes necessários.
- Nunca se deve dar comida ao cão fora das horas de refeições.
- Não lhe dar comida quando se está sentado à mesa. Se o cão perder o hábito de mendigar comida, deixará comer tranquilamente os donos e permanecerá no seu lugar.
- Não deixar os amigos ou convidados oferecer guloseimas ao cão. Os Veterinários têm por hábito oferecer aos cães, que estão em consulta, guloseimas para lhes conquistar a confiança. Esse procedimento não deve ser permitido pelo dono.
- Dar de comer ao cão sempre no mesmo comedouro, à mesma hora e no mesmo local.
- Não dar de comer com a mão.
- Não o deixar ingerir comida abandonada durante os passeios (o cão ao passear deve andar com a cabeça levantada e não a farejar permanentemente o solo).
Apenas quando o cão e o dono tiverem adquirido estes hábitos se pode iniciar o treino para que o cão recuse comida que um estranho lhe ofereça.
O Início
Deve iniciar-se o treino por volta dos dez, doze meses, quando o animal já estiver habituado ao seu horário de refeições e aprendeu as regras elementares de obediência, pelo que já responde correctamente, às ordens de sentado, deitado, quieto, larga e vem à chamada. Existem vários métodos de treino mas todos têm uma regra comum: nunca abandonar um cão perante um fracasso. O objectivo é que o cão desconfie perante qualquer guloseima ou alimento que encontre casualmente ou lhe seja oferecido por alguém que não sejam os donos.
O Treino
Para o treino deste problema comportamental somos forçados a utilizar o Castigo Positivo uma vez que pode estar em causa a vida do animal.
É necessária uma pessoa desconhecida do cão. Será encarregue de dar ou lançar alimentos que devem surpreender desagradavelmente o animal: pedaços com pimenta, com mostarda forte, com malaguetas, com óleo de rícino; alimentos que estejam unidos à ponta de um elástico que lhe baterá no focinho ao morder e puxar
Para dissuadir o cão de comer alimento abandonado no solo, existem vários métodos: colocar comida sobre um ratoeira dissimulada com ervas ou terra, unir a bola de carne a latas de refrigerante que cairão sobre o cão ao puxar a comida com os dentes, etc.
Não obstante, não há cães infalíveis, pelo que há que ter em conta que se durante os seus passeios um cão encontra habitualmente o mesmo tipo de comida, pode acostumar-se a ela e esquecer os efeitos nocivos que o comê-la lhe poderiam provocar. Por isso, voltamos a lembrar, que é importante acostumar o cão a não ingerir nada que não lhe tenha sido dado pelo dono, sendo assim, também não é superficial insistir que o cão não coma fora do sítio ou das suas horas habituais, dando-lhe sempre uma ração suficiente e alta qualidade, se bem que não excessiva, de maneira a que evite a obesidade e não passe fome o resto do dia.
Podemos igualmente utilizar um processo mais soft, que consiste em pedirmos a uma pessoa desconhecida para o cão que atire um pedaço de alimento apetitoso enquanto andamos a passear o cão à trela, primeiro fora e depois dentro do quintal, e na altura em que o cão vai para o comer, devemos dar um puxão forte na trela e repreender o cão com um “NÃO” forte e depois, quando já se tiver desligado do estímulo, recompensá-lo com uma carícia e um suave “MUITO BEM”. Pode-se também utilizar este método quando o passeamos na rua e ele fica tentado a comer algo que encontrou no chão junto a um caixote do lixo.
Qualquer que seja o método, é conveniente praticar o treino em diversos locais, como a casa, o jardim, a rua ou o carro, e em diferentes situações e com alimentos diversos.
A recusa de comida constitui em alguns países uma prova que se pratica em concursos de trabalho. Para isso, colocam-se diferentes tipos de comida nos lugares que o juiz determinar, sendo sempre suficientemente grandes para serem claramente visíveis e apetitosas, tais como: carne crua ou guisada, ossos, peixe, queijo, bolos, açúcar, etc., o cão deve efectuar o seu percurso sem comer nem lamber nenhuma das comidas.
Em seguida, o cão deve permanecer quieto e recusar pedaços de comida atirados de uma distância de 3 metros sem estar presente o proprietário. Concluída a prova, o cão é chamado pelo nome e deve correr para o lado do seu guia. Durante toda a prova, o cão não pode demonstrar medo ou agressividade.
• Coprofagia
A coprofagia é um comportamento anómalo que se traduz no acto de os cães ingerirem as suas próprias fezes ou as de outros animais.
Este comportamento só é normal em mães em fase de amamentação que ingerem as fezes e urina dos seus cachorros com o objectivo de limpar o ninho e de evitar a propagação de odores a fim de não atraírem os predadores. Em todas as outras situações este é um comportamento anormal mas não patológico.
Causas
As causas deste comportamento podem ser várias, sendo que, os próprios investigadores não são unânimes nas suas conclusões. De seguida descrevemos as teorias definidas pelos referidos investigadores
- Enfermidades tais: como parasítoses, intoxicação por chumbo, insuficiência pancreática e qualquer processo que afecte a amígdala que é a estrutura do SNC (Sistema Nervoso Central) encarregue da selecção de alimento. Como exemplo deste último temos o vírus da raiva, que por vezes se aloja neste órgão.
- Carência de elementos nutritivos como o ferro, vitamina B ou zinco
- Conduta reforçada pelo dono. O cão fá-lo para chamar a atenção do dono ou para evitar ser castigado se este vê as fezes.
- Pode igualmente dever-se ao ambiente vivido pelos cachorros durante a amamentação. Isto implicaria que o cachorro fixa comportamentos como o de estar em ambiente sujo da caixa parideira e comendo no mesmo local, como tal associa as fezes à ingestão de alimentos. Por vezes também as poderá associar a condutas exploratórias e lúdicas mordendo-as e jogando com elas. Também se tem especulado com a ideia de que associe o hálito da mãe que ingere as fezes, com o odor da comida.
- Situações de deficiência nutricional, má nutrição ou fome. É suposto que em condições em que o cachorro esteja mal alimentado ou com fome ingira as suas fezes para sobreviver. Assim como uma dieta desequilibrada ou de baixa qualidade poderia influir numa conduta de ingestão das próprias fezes ou de outros.
- Como meio de aproveitar enzimas digestivas presentes nas fezes como é o caso do ácido deoxicólico que diminui o risco de enterites e facilita a assimilação dos ácidos gordos.
- Resposta a situações de stress devidas a confinamento a espaços reduzidos com total ausência de estímulos, e a consequente restrição de movimentos e de interacção social.
Tratamento
Em primeiro lugar deve de se fazer um check-up total ao cão para despistar eventuais problemas orgânicos que possam existir.
No caso das funções orgânicas se encontrarem em perfeitas condições e que tenha sido descartado também a possível causa de uma alimentação deficitária ou de baixa qualidade, centrar-nos-emos nas outras possíveis causas deste comportamento.
Ao animal deve ser proporcionado um ambiente rico em jogos interactivos, uma rotina fixa que inclua saídas ao exterior para fazer as suas necessidades e adestramento em obediência com enfoque no comando “larga”.
Como é lógico o ambiente do cão deve ser o mais higiénico possível eliminando as fezes rapidamente. Se temos vários cães seria útil utilizarmos uma câmara de vídeo para podermos averiguar o causador ou responsável por esta conduta.
Para eliminar este comportamento utiliza-se o fenómeno da aversão alimentar que consiste no seguinte: cobre-se as fezes com uma substância desagradável para o animal, quer seja pelo odor ou pelo sabor e que provoque vómitos ou dores abdominais. As consequências gastrointestinais subsequentes sofridas pelo cão devido à ingestão das fezes cobertas por esses produtos, farão com que o animal condicione que sofrerá consequências se as ingerir e não queira provar de novo.
Conclusão
O tema é muito polémico mesmo entre os estudiosos da matéria. Não há receitas milagrosas o que deve haver é um cuidado emergente em proporcionar ao cão o máximo de estímulos positivos e que viva num meio o mais higiénico possível.
• Objectos
Pedras, bolas, meias de senhora, peúgas, pedaços de sapato, trapos, brinquedos, objectos em plástico, etc., são objectos que poderão ser engolidos por um animal com graves consequências para a sua saúde se não forem rapidamente retirados, muitas das vezes cirurgicamente. Para evitar este grave problema, é uma boa prática treinar o cão a reconhecer e evitar engolir esses objectos.
Treino
Devido à sua gravidade, vamos utilizar novamente o Castigo Positivo como método de adestramento e, basicamente, o treino é idêntico ao segundo processo de treino de rejeição de alimentação estranha. Assim, vamos proceder da seguinte forma:
Dispomos pelo chão uma série de objectos que sabemos que o cão gosta mas que não deve engolir. Colocamos-lhe a trela e propositadamente aproximamo-nos dos objectos e, na altura em que o cão vai para os cheirar, devemos dar um puxão forte na trela e repreender o cão com um “NÃO” forte e depois, quando já se tiver desligado do estímulo, recompensá-lo com uma carícia e um suave “MUITO BEM”. Pode-se também utilizar este método quando o passeamos na rua e ele fica tentado a engolir algo que encontrou no chão.
Como todos os treinos, este só é eficaz quando repetido muitas vezes até o cão ter a percepção de que nem tudo serve para comer.
Conclusões
A ingestão inadequada de alimentos, fezes ou objectos é uma patologia comportamental grave, mas com uma taxa de sucesso no seu tratamento bastante alta. Cabe ao terapeuta e fundamentalmente ao dono, adoptarem os procedimentos correctos e, não desanimarem perante algum fracasso que possa aparecer durante o processo de resolução do problema, uma vez que na grande maioria dos casos está em jogo a própria vida do animal.
07/07/10
Explicação Etológica para a ANSIEDADE POR SEPARAÇÃO CANINA
Os problemas derivados da angústia por separação canina agrupam uma grande diversidade de manifestações de hipervinculação social e de lugar. A angústia por separação pode-se encontrar de maneira natural em muitas espécies de canídeos, sobretudo nas mais sociais como são o caso dos Lobos e dos cães domésticos.
Os comportamentos de ansiedade, incluindo a vocalização e a tentativa de conseguir proximidade em relação ao objecto de apego, são comportamentos adaptativos. O propósito evolutivo dos comportamentos de angústia por separação é prevenir que o cachorro se afaste para demasiado longe da unidade familiar e também para ajudar a mãe e outros membros da família a encontrá-lo. A angústia experimentada motiva o cachorro a permanecer junto do seu objecto de apego (primeiro o local de abrigo e depois a mãe). As vocalizações têm como objectivo actuar como localizador de forma que a mãe, ou outros membros da matilha, possam localizar o cachorro perdido. As vocalizações do cachorro podem provocar uma resposta de base psicológica na mãe que a leve a localizá-lo. No fundo, o propósito da angústia por separação é recalcar a importância do contacto directo e a vinculação entre o cachorro e a unidade familiar que o cria.
A ansiedade por separação não se observa em espécies de animais que não criam a sua prole. Há muitos répteis como as tartarugas marinhas, por exemplo, que não mostram comportamentos de angustia por separação. Grande parte deste sistema está presente de forma instintiva no cachorro cão e a aprendizagem adquire um efeito modulador à medida que passa o tempo. O alivio e consolo do contacto social (a mãe) e do local (abrigo) reforçam o contacto e o apego enquanto que a ausência relativa de consolo e a experiência negativa do jovem actuam para castigar o desenraizamento. Reunir o cachorro com o objecto de apego reforça os comportamentos de angústia. Quando o cachorro se afasta para demasiado longe é castigado com o isolamento. A dependência está afiançada no sistema social canino na criação dos cachorros. O período critico – ou de socialização - seguramente tem um papel fundamental no desenvolvimento de objectos de apego.
O ancestral do cão doméstico é o Lobo. Apesar dos cães serem uma espécie aparte, não há duvida de que compartilham a maioria das suas características mais enraizadas. Em ambiente selvagem, um lobito normalmente não deixa a sua toca antes das 3 ou 4 semanas de idade, nesse momento as excursões acabam com o regresso à segurança da toca. Os lobitos começam com um apego espacial (a toca) mais que social (a mãe). Nas semanas seguintes o cachorro vai amadurecendo, adquire maior confiança e familiariza-se mais com o mundo exterior. Começa a desenvolver um maior apego social com os membros da alcateia e familiariza-se cada vez mais com o mundo que rodeia a toca. Entre as 10 e as 12 semanas, os lobitos abandonam a toca de vez. Espera-se dos lobitos que, gradualmente, participem mais na vida da alcateia, também na caça dado que já ninguém lhe proporciona comida. Passam os dias ao lado das presas mortas onde comem e brincam. Logo vão a outra zona onde foi abatida outra presa. Este processo de maturação biológica e integração na alcateia é gradual e tem uma temporização perfeita. A ansiedade por separação raramente se converte num problema ou transtorno nestas condições.
O que ocorre com os cachorros é um pouco diferente. Quando estão na ninhada é possível que os criadores manipulem a proximidade dos cachorros à mãe. Parecendo que não, este procedimento pode ter resultados nocivos. Muitas vezes retira-se os cachorros da ninhada antes que estejam preparados, do ponto de vista biológico e psicológico. Nesta situação, a transição é brusca e traumática totalmente contrária ao pretendido que seria uma alteração gradual e sem problemas. Os novos donos, em muitos casos, enjaulam o cachorro num local separado da casa (canil, por ex.). Durante os dias seguintes o cachorro sente-se traumatizado por lhe ser estranho o local e o meio social. A isto muitas vezes junta-se o isolamento intolerável dos novos “objectos sociais” (a família). Os donos saiem para os empregos ou vão para a escola e querem que o cão fique sossegado longe do olhar da família. O isolamento provoca ansiedade, naturalmente, e o cachorro vocaliza constantemente para que o objecto de apego se reúna a ele. Isto não ocorre e o cachorro começa a sentir que não pode controlar o seu próprio meio envolvente: estamos a criar um animal neurótico. O cão sente-se desesperado.
Há muitos donos que não percebem o sofrimento do pobre cachorro, sentem-se frustrados e castigam-no por ladrar ou uivar. Gritar, ou o que é pior, bater no cão agrava o problema ao fazer com que o cachorro se sinta mais perdido e com maior necessidade de apego social. O apego social do cão pode reforçar-se (às vezes a níveis nada saudáveis) com este tipo de tratamento porque procura consolo no contacto social. Esta situação aumenta a incidência, duração e intensidade da angustia e tem como resultado vocalizações de ansiedade.
Se o cachorro não tem uma predisposição genética para a ansiedade por separação (sensibilidade/reactividade), e o dano não é muito grave, então pode aprender a adaptar-se a esse meio ambiente. Em situações novas é onde os cachorros se mostram mais ansiosos, tal como acontecem com as suas vocalizações às seis semanas de idade. A partir deste pico as vocalizações começam a baixar em circunstâncias normais, e entre as 12 e as 16 semanas os cachorros apresentam uma adaptação cada vez maior ao seu meio e menos ansiedade perante o isolamento.
Este é um processo adaptativo normal. Com uma predisposição genética ou práticas de criação inadequadas a angústia pode transformar-se em ansiedade, frustração e pânico, situação que marca o declive do estado psicológico do cão e da relação entre este e o seu dono.
Os comportamentos de ansiedade, incluindo a vocalização e a tentativa de conseguir proximidade em relação ao objecto de apego, são comportamentos adaptativos. O propósito evolutivo dos comportamentos de angústia por separação é prevenir que o cachorro se afaste para demasiado longe da unidade familiar e também para ajudar a mãe e outros membros da família a encontrá-lo. A angústia experimentada motiva o cachorro a permanecer junto do seu objecto de apego (primeiro o local de abrigo e depois a mãe). As vocalizações têm como objectivo actuar como localizador de forma que a mãe, ou outros membros da matilha, possam localizar o cachorro perdido. As vocalizações do cachorro podem provocar uma resposta de base psicológica na mãe que a leve a localizá-lo. No fundo, o propósito da angústia por separação é recalcar a importância do contacto directo e a vinculação entre o cachorro e a unidade familiar que o cria.
A ansiedade por separação não se observa em espécies de animais que não criam a sua prole. Há muitos répteis como as tartarugas marinhas, por exemplo, que não mostram comportamentos de angustia por separação. Grande parte deste sistema está presente de forma instintiva no cachorro cão e a aprendizagem adquire um efeito modulador à medida que passa o tempo. O alivio e consolo do contacto social (a mãe) e do local (abrigo) reforçam o contacto e o apego enquanto que a ausência relativa de consolo e a experiência negativa do jovem actuam para castigar o desenraizamento. Reunir o cachorro com o objecto de apego reforça os comportamentos de angústia. Quando o cachorro se afasta para demasiado longe é castigado com o isolamento. A dependência está afiançada no sistema social canino na criação dos cachorros. O período critico – ou de socialização - seguramente tem um papel fundamental no desenvolvimento de objectos de apego.
O ancestral do cão doméstico é o Lobo. Apesar dos cães serem uma espécie aparte, não há duvida de que compartilham a maioria das suas características mais enraizadas. Em ambiente selvagem, um lobito normalmente não deixa a sua toca antes das 3 ou 4 semanas de idade, nesse momento as excursões acabam com o regresso à segurança da toca. Os lobitos começam com um apego espacial (a toca) mais que social (a mãe). Nas semanas seguintes o cachorro vai amadurecendo, adquire maior confiança e familiariza-se mais com o mundo exterior. Começa a desenvolver um maior apego social com os membros da alcateia e familiariza-se cada vez mais com o mundo que rodeia a toca. Entre as 10 e as 12 semanas, os lobitos abandonam a toca de vez. Espera-se dos lobitos que, gradualmente, participem mais na vida da alcateia, também na caça dado que já ninguém lhe proporciona comida. Passam os dias ao lado das presas mortas onde comem e brincam. Logo vão a outra zona onde foi abatida outra presa. Este processo de maturação biológica e integração na alcateia é gradual e tem uma temporização perfeita. A ansiedade por separação raramente se converte num problema ou transtorno nestas condições.
O que ocorre com os cachorros é um pouco diferente. Quando estão na ninhada é possível que os criadores manipulem a proximidade dos cachorros à mãe. Parecendo que não, este procedimento pode ter resultados nocivos. Muitas vezes retira-se os cachorros da ninhada antes que estejam preparados, do ponto de vista biológico e psicológico. Nesta situação, a transição é brusca e traumática totalmente contrária ao pretendido que seria uma alteração gradual e sem problemas. Os novos donos, em muitos casos, enjaulam o cachorro num local separado da casa (canil, por ex.). Durante os dias seguintes o cachorro sente-se traumatizado por lhe ser estranho o local e o meio social. A isto muitas vezes junta-se o isolamento intolerável dos novos “objectos sociais” (a família). Os donos saiem para os empregos ou vão para a escola e querem que o cão fique sossegado longe do olhar da família. O isolamento provoca ansiedade, naturalmente, e o cachorro vocaliza constantemente para que o objecto de apego se reúna a ele. Isto não ocorre e o cachorro começa a sentir que não pode controlar o seu próprio meio envolvente: estamos a criar um animal neurótico. O cão sente-se desesperado.
Há muitos donos que não percebem o sofrimento do pobre cachorro, sentem-se frustrados e castigam-no por ladrar ou uivar. Gritar, ou o que é pior, bater no cão agrava o problema ao fazer com que o cachorro se sinta mais perdido e com maior necessidade de apego social. O apego social do cão pode reforçar-se (às vezes a níveis nada saudáveis) com este tipo de tratamento porque procura consolo no contacto social. Esta situação aumenta a incidência, duração e intensidade da angustia e tem como resultado vocalizações de ansiedade.
Se o cachorro não tem uma predisposição genética para a ansiedade por separação (sensibilidade/reactividade), e o dano não é muito grave, então pode aprender a adaptar-se a esse meio ambiente. Em situações novas é onde os cachorros se mostram mais ansiosos, tal como acontecem com as suas vocalizações às seis semanas de idade. A partir deste pico as vocalizações começam a baixar em circunstâncias normais, e entre as 12 e as 16 semanas os cachorros apresentam uma adaptação cada vez maior ao seu meio e menos ansiedade perante o isolamento.
Este é um processo adaptativo normal. Com uma predisposição genética ou práticas de criação inadequadas a angústia pode transformar-se em ansiedade, frustração e pânico, situação que marca o declive do estado psicológico do cão e da relação entre este e o seu dono.
Subscrever:
Mensagens (Atom)